Café com a Oficina: Reinventando a roda!

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Os pneus são os um dos grandes elementos poluidores do mundo. Algumas ações vêm sendo feitas para aumentar sua reciclagem, no entanto o futuro pode vir a ser muito diferente para estes borrachudos.

A Michelin apresentou na conferência Movin’On em Montreal, uma roda conceito com o nome Airless Vision. É uma ideia revolucionária que une roda e pneu em uma peça única e sem ar. Como já publicamos aqui no Café com a Oficina, a biomimética é uma fonte inesgotável de ideias e, nesse caso, foi a estrutura celular dos corais que inspirou o design conceito dessa roda. Ele é impresso em 3D a partir de materiais biodegradáveis ​​que incluem borracha natural, bambu, papel, latas, madeira, resíduos eletrônicos e plásticos, aparas de pneus, metais usados, roupas, papelão, melaço e cascas de laranja.

A Goodyear não deixou por menos e também investiu na ideia de que o futuro do transporte será movido à energia verde. Seu novo conceito para pneu se chama Oxygene e, vejam só, integra musgo vivo para ajudar a melhorar a qualidade do ar enquanto você viaja. Ele também é impresso em 3D com pneus reciclados e inclui uma luz para ajudar a manter os pedestres seguros.

Disse Terry Gettys, vice-presidente executivo de pesquisa da Michelin: “Você pode estar pensando – bem, isso é um sonho – e você está certo. É um sonho. No entanto, é um sonho altamente realista, já que cada componente do conceito já é um tópico de pesquisa ativo na Michelin.”

E você? Está ajudando sua empresa a sonhar?

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Café com a Oficina: Mundo VUCA

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Mundo VUCA é um acrônimo para fazer lembrar quatro características marcantes dessa desafiadora era contemporânea: Volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade (Volatility, uncertainty, complexity and ambiguity).

Volatilidade: na química, volátil designa tudo que evapora no seu estado normal com facilidade. No mundo organizacional, o amanhã será muito diferente do hoje, pois as mudanças são volúveis e é preciso se adaptar com agilidade e rapidez, para provocar ou se adaptar ao novo. Soluções caríssimas hoje, amanhã custam centavos, trazendo possibilidades que antes seriam consideradas impossíveis. É preciso estar pronto para lidar com o inesperado. Ter clareza do propósito tornou-se ainda mais imprescindível, uma vez que ele é que dará o necessário norte para seguir em busca de resultados que valem a pena.

Incerteza: o futuro é tão incerto que apesar da grande disponibilidade de informações, elas não necessariamente são úteis para compreender o futuro. As soluções de hoje em geral não serão aplicáveis aos problemas do futuro. As empresas precisarão aprender a trabalhar em colaboração com os seus clientes, para entenderem o que eles realmente precisam e experimentar de forma rápida novas soluções. É preciso compreender novos paradigmas. Seguir um plano rigidamente traçado para os próximos 5 anos já não faz mais sentido, pois os caminhos estruturados e rígidos para alcançar os objetivos, estão cada vez mais difíceis de serem eficazes. Os planos de curto, médio e longo prazos sofrerão mudanças constantes.

Complexidade: a conectividade e a interdependência ampliam enormemente o número de variáveis e a complexidade da tomada de decisão. Os modelos tradicionais de planejamento e análise já não são suficientes para prever os resultados. Ações isoladas na verdade não existem, pois elas fazem parte de um sistema complexo. Mesmo que pareça um paradoxo, em um mundo de relações cada vez mais complexas, com múltiplas forças atuantes, as empresas precisam aprender a trabalhar de forma simples e a gerar soluções simples para lidar com a complexidade do mundo.

Ambiguidade: em um mundo ambíguo precisamos aprender a conviver com o erro, a testar hipóteses e a aprender com o que não deu certo. A ambiguidade vem da falta de clareza e concretude, que acaba por dar margem a múltiplas interpretações igualmente pertinentes, não existe uma resposta única. Os impactos de um salto evolutivo não podem ser analisados com base no histórico e em experiências anteriores, pois ele cria um novo cenário. Existem diferentes leituras para os mesmos cenários e diferentes possibilidades para uma mesma oportunidade.

Para se cogitar fazer frente a esse mundo em revolução, uma característica que trouxe o homem da idade da pedra até os dias atuais é imprescindível: a colaboração. E agora praticar colaboração não apenas entre os homens, mas com as demais espécies e também com a natureza.

Trabalhar em equipes fluidas, com pessoas diversas, multifuncionais e dinâmicas, que aprendem juntas e têm coragem para praticar uma comunicação transparente e direta é imprescindível para fazer deste contexto um momento de prazer, aprendizado e conquistas e não de sofrimento.

Imagem: Scott Webb

Café com a Oficina: Uma ideia de ouro

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O Japão está planejando a preparação dos Jogos Olímpicos 2020 e está cuidando de que o legado não seja apenas esportivo, mas especialmente o de influenciar para a mudança do pensamento que leve a um mundo melhor.
 
Um exemplo vem vestido de ouro, prata e bronze: Todas as 5.000 medalhas olímpicas e paralímpicas serão feitas, por incrível que possa parecer, de material reciclado. O Comitê Olímpico solicitou que celulares que seriam descartados, sejam doados para que deles sejam extraídas as pequenas quantidades de ouro, prata, platina e níquel e transformadas nos desejados símbolos do esforço e dedicação da vida de atletas e suas equipes. Para isso, será necessário recolher 8 toneladas de metal extraído dos celulares descartados advindos de um milhão de aparelhos doados.
 
Kohei Uchimura, ginasta japonês dono de três ouros em Jogos Olímpicos, declarou: “As medalhas olímpicas e paralímpicas de Tóquio 2020 serão feitas a partir do pensamento e apreço das pessoas em evitar o desperdício. Acredito que há uma mensagem importante nisso para as gerações futuras”.
 
Abranger mais VALOR além de cumprir com perfeição as metas, cuidando de transformar o presente em um futuro que seja melhor é uma possibilidade real, para a qual as belas e recicladas medalhas japonesas nos impulsionam.

Café com a Oficina: SpaceX e os 3 Rs

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A empresa SpaceX está revolucionando a indústria de viagens ao espaço. O lançamento do foguete Falcon Heavy mostrou, na prática, o que um sonho pode realizar. Este voo teste para futuras viagens à Marte mostrou que a SpaceX, além de ser uma empresa criativa e inovadora, é também irreverente e não se importando com antigos costumes da indústria aeroespacial americana ou russa, ao invés de mandar um bloco de cimento como prova do que o foguete é capaz de transportar, fez a escolha de enviar um carro vermelho cereja da Tesla Roadster, em uma ousada ação de marketing da empresa Tesla, que protagonizou o primeiro automóvel no espaço. Tornando o momento ainda mais inusitado, o carro é “pilotado” por Starman, um manequim que também serviu para fazer o teste real do traje aeroespacial. Seu nome veio da música de David Bowie, Starman – O Homem das Estrelas. Elon Musk, o empreendedor responsável pelas empresas SpaceX e Tesla disse sobre a ação: “É meio bobo e divertido, mas as coisas bobas e divertidas podem ser importantes”.
 
A força de propulsão do Falcon Heavy é correspondente a de dezoito aviões 747 e ele é capaz de transportar 64 toneladas. O mais surpreendente é que enquanto a NASA em um projeto atual de potência semelhante, o SLS, deve consumir 1 bilhão de dólares, e ainda está longe de concretizá-lo, a SpaceX, uma empresa privada, colocou o seu foguete no ar por 90 milhões de dólares.
 
Como? Usando com força total o conceito sustentável dos 3Rs: Reduzir-Reusar-Reciclar.
 
Um parte significativa dos materiais empregados são reciclados e, os propulsores são reaproveitados, isto é, eles sobem ao espaço impulsionando o foguete e retornam à terra, pousando suavemente em um engenhoso espetáculo. O uso mais corriqueiro desta tecnologia seria, por exemplo, proporcionar uma viagem de Londres a Nova York em 29 minutos, ao invés das atuais 8 horas. Partindo de um ponto da terra para qualquer outro, o tempo máximo seria de 1 hora. Imagine a revolução que isso pode trazer.
 
Pensar nos 3Rs para ações revolucionárias e não apenas como um pequeno ato de fazer de conta que está sendo sustentável pode revolucionar sua vida, sua empresa e o planeta.

Café com a Oficina: A invenção do Jardim de Infância e a criatividade

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O jardim de infância foi imaginado há mais ou menos 200 anos. Antes disso, as escolas que existiam admitiam somente crianças a partir dos 7 anos, eram focadas no professor e não no aluno e o método de ensino era a repetição. As crianças ficavam sentadas esperando o professor falar algo, que seria repetido em voz alta pela classe.

O alemão Friedrich Fröbel imaginou, por volta de 1840, um centro de atividades e jogos para crianças, que mais tarde chamou de Jardim de Infância e que teria como foco ser “uma instituição para a autoinstrução, auto-educação, e auto-desenvolvimento do gênero humano, por meio do brincar, da atividade criativa, e da auto instrução espontânea”. Tudo o que se quer hoje em dia nas empresas e nas escolas. Ele percebeu cedo que o aprendizado é muito mais rápido e prazeroso por meio dos jogos e das atividades práticas.

A idéia se espalhou pelo mundo. Os objetos imaginados e criados por ele para que as crianças pudessem experimentar, jogar, construir e se desenvolverem, tais como bolas, blocos coloridos, ladrilhos geométricos e bastões de diversos tamanhos e cores, bem como a utilização da poesia e do canto estão presentes até hoje nas escolas para crianças. No Brasil o primeiro Jardim de Infância inspirado em Fröbel foi implantado pela professora Emília Erichsen na cidade de Castro, Paraná, em 1862.

O professor do MIT-Massachusetts Institute of Technology, Mitchel Resnick, considerou a invenção de Friedrich Fröbel, o Jardim de Infância, como a mais importante dos últimos 1000 anos superando, em sua opinião, a imprensa, o motor a vapor e a consequente revolução industrial, o computador e todas as tantas invenções ocorridas no último milênio.

Por quê? Porque o aprendizado, por meio da experimentação, libera uma chama criativa que permite ao cérebro encontrar outros caminhos, propor novos entendimentos, criar, criar, criar.

Assim, o Jardim de Infância, imaginado por Friedrich Fröbel incentivou as crianças a imaginar e a concretizar sua imaginação por meio dos castelos construídos com os blocos, das florestas mágicas vindas dos pincéis, das fadas e gnomos vindos das histórias.

Esse processo de imaginação e criação passa a formar um saber real de como realizar coisas concretas e importantes. A imaginação é a porta do futuro e a forma como funciona o jardim da infância é mais útil hoje do que nunca. Para as crianças. Para os adultos. Para os idosos. Para os artistas. Para os profissionais que querem gerar novas ideias, brincar com essas ideias, gerar algo novo a partir delas e precisam desenvolver seus cérebros para isso. E também para estarem preparados para lidar de um jeito bom com situações novas e incertas.

O problema: a maioria dos sistemas de ensino e das estratégias criativas das empresas estão bem distantes do sistema empregado no jardim de infância. Pense nisso.

Café com a Oficina: Biomimética – A natureza inspirando soluções

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A natureza, em seus 4,5 bilhões de anos, gerou a vida e muitas soluções incríveis de design e sustentabilidade. Não existe lixo em um planeta Terra sem os seres humanos e sim animais como o urubu, as formigas e bactérias recicladoras convertendo tudo em substâncias reutilizáveis e impressionantes como a teia da aranha ou a gosma do caramujo.

O design das libélulas, por exemplo, permite um bater de asas pouco usual. É um batimento cima-baixo em vez de frente-para-trás, podendo pairar no ar, voar para a frente, para trás, para os lados, mudar de direção instantaneamente e até voar de cabeça para baixo, o que as tornam os insetos mais manobráveis e rápidos, podendo chegar a 85 km/h. Este design arrojado e diferenciado inspirou o helicóptero (o primeiro helicóptero do mundo feito pela empresa americana Sicorsky, em 1946, chamava-se Dragonfly – libélula em inglês).

Este inseto tem muito mais a inspirar, pois seus sentidos visuais seriam considerados superpoderes para qualquer ser humano normal. Enquanto uma mosca tem 6.000 facetas o que lhe dá uma vista panorâmica de seus arredores, a libélula tem 30.000 facetas individuais, o que lhe dá visão 360°, além de outros tantos poderes visuais.

A idéia norteadora da Biomimética é a de que a natureza já resolveu inúmeros problemas, muitos dos quais os seres humanos estão enfrentando nos dias atuais. Assim, ela pode ser uma grande fonte de inspiração para o desenvolvimento de tecnologias, nos campos mais variados como a biologia, a agricultura, a química, a medicina, os transportes – como a libélula já inspirou, na arquitetura e em tantos outros.

Um exemplo da Biomimética em prática foi a solução encontrada para um problema que poderia impedir a ampliação de velocidade do trem-bala japonês. O problema aconteceu quando a velocidade do trem atingiu a marca de 270 km/h e a cada vez que saía de um túnel, comprimia o ar, provocando uma explosão sonora que fazia um barulho ensurdecedor que podia ser ouvido a 400 metros de distância. A solução foi encontrada em 1997 pelo engenheiro Eiji Nakatsu, que tinha o hobby de observar pássaros, e encontrou inspiração no vôo do martim-pescador. O design do bico deste tipo de pássaro lhe permite mergulhar na água, que é 800 vezes mais densa que o ar, sem espirrar quase nenhuma gota.

Nakatsu testou o protótipo do trem com o formato da parte frontal parecido com o bico do martim-pescador e provou que o ruído reduziu sensivelmente. Além disso, inspirou-se no voo silencioso da coruja e copiou o design de suas penas dentadas no mecanismo que liga o trem aos fios de alimentação de energia elétrica. O resultado foi um sucesso, pois sua solução não apenas reduziu o ruído, como também fez seu modelo ser 10% mais rápido e usou 15% menos eletricidade do que as versões anteriores.

Quantas soluções que você e sua empresa estão precisando já não foram arquitetadas pela natureza? Observar a natureza alimenta o cérebro, acalma a alma e diminuiu enormemente a arrogância.

Para saber mais:
Biomimética: Inovação inspirada na natureza
Janine Benyus

Foto “Penas dentadas de coruja”: Getty Images/BBCBrasil.com

Polinizando ideias: O mentor e a imaginação

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“O Reencontro” traz de forma suave, porém contundente, a importância de um Mentor. Esse termo aparece na mitologia grega, sendo o nome de uma pessoa que aconselha, compartilha sabedoria.

Este filme mostra o ganho que qualquer pessoa tem ao buscar inspiração e aprendizado com pessoas que já viveram experiências diferentes e que tenham habilidade de transferir não apenas conhecimento, mas de inspirar novos comportamentos. Mostra também que esta é uma típica relação onde todos ganham, pois o próprio mentor se transforma, se reencontra.

Outro aspecto pelo qual vale assisti-lo é por ele falar e demonstrar a força da imaginação, já que a procura pelo que não está lá é o que mobiliza o ser humano para o novo, para o porvir que vale a pena.

Morgan Freeman interpreta um escritor e se você quiser se encantar e viver um pouco a força que tem a imaginação, fique atento à história do elefante, com a qual ele presenteia a filha da vizinha em seu aniversário, além é claro de seu papel de mentor, que é o tema central deste texto.

Nesta época onde a informação está na palma da mão, um mentor ainda tem importância e relevância para o desenvolvimento de profissionais melhores, de pessoas melhores e é disso que as empresas e o mundo estão precisando mais que nunca.

O Reencontro (The Magic of the Belle Isle)
Diretor: Rob Reiner
Com: Morgan Freeman 
EUA
2012

Café com a Oficina: A importância de ficar com a mente alerta

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O médico obstetra francês Sthépane Tarnier trabalhava na Maternité Paris, que atendia mulheres pobres. Em um dia de folga nos idos de 1870, foi passear no Paris Zoo e acabou por deparar-se com chocadeiras de frangos. O calor que apoiava os pintinhos recém saídos dos ovos a iniciar sua jornada pela vida iluminou o pensamento de Tarnier.

Com uma ideia em mente, contratou Odile Martin, responsável do Zoo de Paris por aves domésticas e lhe encomendou uma chocadeira, porém para seres humanos. Naquela época, mesmo na França, a mortalidade infantil era muito alta. Um em cada cinco bebês morriam antes mesmo de engatinhar e, caso fossem prematuros abaixo do peso, este número era bem maior, chegando a 66%.

Tarnier controlou os resultados estatisticamente, mostrando que o uso das estufas reduzia imediatamente as mortes de bebês prematuros a 38%. Rapidamente o conselho municipal de Paris obrigou a todo o hospital dispor de uma incubadora.

As incubadoras modernas, que incluem oxigenoterapia fizeram cair 75% das mortes. Isso coloca as incubadoras como o maior avanço científico na medicina do século XX, em termos de vidas a mais e anos a mais nas vidas salvas do que inventos muito mais complexos.

Infelizmente esse invento não repercute da mesma forma em países pobres, pois as incubadoras modernas são caras e de difícil manutenção. Hoje a taxa de mortalidade infantil nos EUA está abaixo de 10 por 10.000 nascimentos, enquanto que em países como a Libéria e o Congo, morrem mais de 100 bebês a cada 10.000 nascimentos.

Aí entra outra pessoa de mente aberta como o Dr. Tarnier, que é o professor do MIT Massachusetts Institute of Technology, Timothy Prestero. Ele percebeu que em países pobres existe uma vasta competência em consertar automóveis. Assim, resolveu construir uma incubadora com peças de automóveis, fáceis de encontrar no mundo subdesenvolvido. Conseguiu o feito e a incubadora chama-se Neonurtune, por fora é parecida com uma moderna incubadora, mas por dentro um farol de carro é que produz o calor, ventoinhas fazem o ar circular, uma bateria de motocicleta provê a energia necessária e o melhor, qualquer mecânico de automóveis consegue consertá-la.

Boas ideias podem, como já mostramos em outro post, serem adaptações de coisas existentes e funcionarem de modo simples e eficaz nas diversas condições existentes.

É preciso deixar a mente aberta e alerta – e isso só se consegue quando há interesse genuíno no que se faz. Não esqueça da estatística, pois ela dá força e os recursos necessários para que a ideia ganhe vida. Não é à toa que as empresas apoiadoras de novas ideias chamam-se incubadoras. Calor e cuidado: é disso que as boas ideias precisam para sobreviver.

Caso citado no Iivro:
“De onde vêm as boas ideias”, de Steven Johnson

Imagem:
“Taking a Lesson from the Past – Flower Face”
Yong Meon Kang
2004
Korean Art Museum Association

Café com a Oficina: Foco COM o cliente

foco

Fazer escolhas pelo cliente está obsoleto e já levou muitas empresas à falência. A arrogância de decidir pelo outro o que é o melhor para ele, em tempos com tanta facilidade de comunicação e conhecimento não cria vínculo e, muito ao contrário, destrói relacionamentos.

As empresas então passaram a buscar ter foco NO cliente, para acompanhar sua linha de pensamento, o que estão fazendo, suas necessidades e então, poder alinhar seus produtos para atendê-los de forma adequada.

Perceberam que isso é pouco. Começou-se então a disseminar o conceito de foco DO cliente. Isto é, é preciso saber não o que o cliente está fazendo e precisando naquele momento, mas antecipar-se, saber qual é o seu foco em tempos próximos, médios e longos, a depender do negócio, e assim, atendê-lo de forma mais consistente e contundente.

Pois isso ainda é pouco…

É preciso ter a competência, a disposição e o vínculo necessários para criar o foco COM o cliente. Isto significa unir as expertises na construção de um futuro sustentável.

Existe risco em dar boas ideias e o cliente contratar outro fornecedor? Sim. O risco é claro componente de qualquer negócio, no entanto o risco é muito maior de tornar-se obsoleto e desinteressante se ficar apenas em compassos de espera.

Fique atento: isso tanto vale para os clientes de sua empresa ou para seus relacionamentos de amor e amizade. Construir juntos, pequenas e grandes coisas, é a chave para grandes e inesquecíveis momentos.

Foto: Felipe Gavioli

Polinizando ideias: Ai Weiwei: arte e empatia

weiwei
 
Em 1958, quando Weiwei tinha apenas um ano, seu pai o poeta Ai Qing foi banido para Xinjiang, na fronteira entre China e Rússia. Acusado de ser contra o partido comunista foi obrigado a limpar fossas, mas ensinou seu filho Weiwei sobre poetas e pintores franceses, pois estudou arte na França nos anos 1930.
 
Nos anos 1980 a punição cessou, a família pode retornar a Pequim e então, Ai Weiwei entrou para a Escola de Cinema. Logo fez parte de um grupo que divulgava poesia e pinturas em um local que passou a se chamar Muro Democrático. Rapidamente a iniciativa foi reprimida, um dos integrantes condenado a 10 anos de prisão e Weiwei se auto exilou nos Estados Unidos, levando consigo apenas US$ 30, visto de estudante e o desejo de ser um novo Picasso. Logo saiu da escola e tornou-se um morador ilegal.
 
Quando voltou à China, depois de 12 anos, estava com quase 40 anos e morava com sua mãe. Era pouco produtivo, apenas organizando exposições e publicações. A mãe praticamente lhe deu um ultimato para cuidar da própria vida e ele, em apenas poucas horas, projetou seu próprio estúdio, e o construiu em dois meses. O sucesso foi imediato, foi guindado à posição de principal arquiteto chinês, sem nunca ter estudado arquitetura. Participou do desenho do Estádio Olímpico de Pequim e seu estúdio Fake Design fez mais de 50 projetos.
 
Foi convidado em 2006 para criar um blog, encerrado pelo governo chinês em 2009, que tentou calar sua voz prendendo o artista. Libertado por pressão internacional, exilou-se novamente, desta vez na Alemanha. Weiwei conhece na própria pele a dor de ser um refugiado.
 
Toda a sua história lhe permite ter coração para ouvir carinhosamente, colocando-se de forma verdadeira no lugar do outro. Na filmagem de Human Flow – filme que aborda justamente a condição dos refugiados, a equipe de filmagem sempre estranhava a postura de Weiwei “atrapalhando” as tomadas: levando um chá a alguém, ouvindo atenciosamente a história de outro e chorando junto, sentindo a dor do outro. Essa profunda empatia fez com que os refugiados percebessem que não estavam frente a ouvidos moucos e sentiram-se respeitados.
 
Weiwei faz refletir com seu pensamento: “A crise não é só política, é humana e moral. Discutir os direitos humanos é fundamental. É preciso entender que eles (os refugiados) não pertencem a uma classe especial. São como nós.”
 
O mesmo pode se dizer da hierarquia nas organizações, das relações com terceirizados, com fornecedores: não são uma classe especial, são como nós.
 
Filme: Human Flow – Não existe lar se não há para onde ir
Direção: Ai Weiwei
Gênero: Documentário
Alemanha
2017