Polinizando ideias: O mentor e a imaginação

reencontro

“O Reencontro” traz de forma suave, porém contundente, a importância de um Mentor. Esse termo aparece na mitologia grega, sendo o nome de uma pessoa que aconselha, compartilha sabedoria.

Este filme mostra o ganho que qualquer pessoa tem ao buscar inspiração e aprendizado com pessoas que já viveram experiências diferentes e que tenham habilidade de transferir não apenas conhecimento, mas de inspirar novos comportamentos. Mostra também que esta é uma típica relação onde todos ganham, pois o próprio mentor se transforma, se reencontra.

Outro aspecto pelo qual vale assisti-lo é por ele falar e demonstrar a força da imaginação, já que a procura pelo que não está lá é o que mobiliza o ser humano para o novo, para o porvir que vale a pena.

Morgan Freeman interpreta um escritor e se você quiser se encantar e viver um pouco a força que tem a imaginação, fique atento à história do elefante, com a qual ele presenteia a filha da vizinha em seu aniversário, além é claro de seu papel de mentor, que é o tema central deste texto.

Nesta época onde a informação está na palma da mão, um mentor ainda tem importância e relevância para o desenvolvimento de profissionais melhores, de pessoas melhores e é disso que as empresas e o mundo estão precisando mais que nunca.

O Reencontro (The Magic of the Belle Isle)
Diretor: Rob Reiner
Com: Morgan Freeman 
EUA
2012

Anúncios

Café com a Oficina: A importância de ficar com a mente alerta

mente aberta.jpg
O médico obstetra francês Sthépane Tarnier trabalhava na Maternité Paris, que atendia mulheres pobres. Em um dia de folga nos idos de 1870, foi passear no Paris Zoo e acabou por deparar-se com chocadeiras de frangos. O calor que apoiava os pintinhos recém saídos dos ovos a iniciar sua jornada pela vida iluminou o pensamento de Tarnier.

Com uma ideia em mente, contratou Odile Martin, responsável do Zoo de Paris por aves domésticas e lhe encomendou uma chocadeira, porém para seres humanos. Naquela época, mesmo na França, a mortalidade infantil era muito alta. Um em cada cinco bebês morriam antes mesmo de engatinhar e, caso fossem prematuros abaixo do peso, este número era bem maior, chegando a 66%.

Tarnier controlou os resultados estatisticamente, mostrando que o uso das estufas reduzia imediatamente as mortes de bebês prematuros a 38%. Rapidamente o conselho municipal de Paris obrigou a todo o hospital dispor de uma incubadora.

As incubadoras modernas, que incluem oxigenoterapia fizeram cair 75% das mortes. Isso coloca as incubadoras como o maior avanço científico na medicina do século XX, em termos de vidas a mais e anos a mais nas vidas salvas do que inventos muito mais complexos.

Infelizmente esse invento não repercute da mesma forma em países pobres, pois as incubadoras modernas são caras e de difícil manutenção. Hoje a taxa de mortalidade infantil nos EUA está abaixo de 10 por 10.000 nascimentos, enquanto que em países como a Libéria e o Congo, morrem mais de 100 bebês a cada 10.000 nascimentos.

Aí entra outra pessoa de mente aberta como o Dr. Tarnier, que é o professor do MIT Massachusetts Institute of Technology, Timothy Prestero. Ele percebeu que em países pobres existe uma vasta competência em consertar automóveis. Assim, resolveu construir uma incubadora com peças de automóveis, fáceis de encontrar no mundo subdesenvolvido. Conseguiu o feito e a incubadora chama-se Neonurtune, por fora é parecida com uma moderna incubadora, mas por dentro um farol de carro é que produz o calor, ventoinhas fazem o ar circular, uma bateria de motocicleta provê a energia necessária e o melhor, qualquer mecânico de automóveis consegue consertá-la.

Boas ideias podem, como já mostramos em outro post, serem adaptações de coisas existentes e funcionarem de modo simples e eficaz nas diversas condições existentes.

É preciso deixar a mente aberta e alerta – e isso só se consegue quando há interesse genuíno no que se faz. Não esqueça da estatística, pois ela dá força e os recursos necessários para que a ideia ganhe vida. Não é à toa que as empresas apoiadoras de novas ideias chamam-se incubadoras. Calor e cuidado: é disso que as boas ideias precisam para sobreviver.

Caso citado no Iivro:
“De onde vêm as boas ideias”, de Steven Johnson

Imagem:
“Taking a Lesson from the Past – Flower Face”
Yong Meon Kang
2004
Korean Art Museum Association

Café com a Oficina: Foco COM o cliente

foco

Fazer escolhas pelo cliente está obsoleto e já levou muitas empresas à falência. A arrogância de decidir pelo outro o que é o melhor para ele, em tempos com tanta facilidade de comunicação e conhecimento não cria vínculo e, muito ao contrário, destrói relacionamentos.

As empresas então passaram a buscar ter foco NO cliente, para acompanhar sua linha de pensamento, o que estão fazendo, suas necessidades e então, poder alinhar seus produtos para atendê-los de forma adequada.

Perceberam que isso é pouco. Começou-se então a disseminar o conceito de foco DO cliente. Isto é, é preciso saber não o que o cliente está fazendo e precisando naquele momento, mas antecipar-se, saber qual é o seu foco em tempos próximos, médios e longos, a depender do negócio, e assim, atendê-lo de forma mais consistente e contundente.

Pois isso ainda é pouco…

É preciso ter a competência, a disposição e o vínculo necessários para criar o foco COM o cliente. Isto significa unir as expertises na construção de um futuro sustentável.

Existe risco em dar boas ideias e o cliente contratar outro fornecedor? Sim. O risco é claro componente de qualquer negócio, no entanto o risco é muito maior de tornar-se obsoleto e desinteressante se ficar apenas em compassos de espera.

Fique atento: isso tanto vale para os clientes de sua empresa ou para seus relacionamentos de amor e amizade. Construir juntos, pequenas e grandes coisas, é a chave para grandes e inesquecíveis momentos.

Foto: Felipe Gavioli

Polinizando ideias: Ai Weiwei: arte e empatia

weiwei
 
Em 1958, quando Weiwei tinha apenas um ano, seu pai o poeta Ai Qing foi banido para Xinjiang, na fronteira entre China e Rússia. Acusado de ser contra o partido comunista foi obrigado a limpar fossas, mas ensinou seu filho Weiwei sobre poetas e pintores franceses, pois estudou arte na França nos anos 1930.
 
Nos anos 1980 a punição cessou, a família pode retornar a Pequim e então, Ai Weiwei entrou para a Escola de Cinema. Logo fez parte de um grupo que divulgava poesia e pinturas em um local que passou a se chamar Muro Democrático. Rapidamente a iniciativa foi reprimida, um dos integrantes condenado a 10 anos de prisão e Weiwei se auto exilou nos Estados Unidos, levando consigo apenas US$ 30, visto de estudante e o desejo de ser um novo Picasso. Logo saiu da escola e tornou-se um morador ilegal.
 
Quando voltou à China, depois de 12 anos, estava com quase 40 anos e morava com sua mãe. Era pouco produtivo, apenas organizando exposições e publicações. A mãe praticamente lhe deu um ultimato para cuidar da própria vida e ele, em apenas poucas horas, projetou seu próprio estúdio, e o construiu em dois meses. O sucesso foi imediato, foi guindado à posição de principal arquiteto chinês, sem nunca ter estudado arquitetura. Participou do desenho do Estádio Olímpico de Pequim e seu estúdio Fake Design fez mais de 50 projetos.
 
Foi convidado em 2006 para criar um blog, encerrado pelo governo chinês em 2009, que tentou calar sua voz prendendo o artista. Libertado por pressão internacional, exilou-se novamente, desta vez na Alemanha. Weiwei conhece na própria pele a dor de ser um refugiado.
 
Toda a sua história lhe permite ter coração para ouvir carinhosamente, colocando-se de forma verdadeira no lugar do outro. Na filmagem de Human Flow – filme que aborda justamente a condição dos refugiados, a equipe de filmagem sempre estranhava a postura de Weiwei “atrapalhando” as tomadas: levando um chá a alguém, ouvindo atenciosamente a história de outro e chorando junto, sentindo a dor do outro. Essa profunda empatia fez com que os refugiados percebessem que não estavam frente a ouvidos moucos e sentiram-se respeitados.
 
Weiwei faz refletir com seu pensamento: “A crise não é só política, é humana e moral. Discutir os direitos humanos é fundamental. É preciso entender que eles (os refugiados) não pertencem a uma classe especial. São como nós.”
 
O mesmo pode se dizer da hierarquia nas organizações, das relações com terceirizados, com fornecedores: não são uma classe especial, são como nós.
 
Filme: Human Flow – Não existe lar se não há para onde ir
Direção: Ai Weiwei
Gênero: Documentário
Alemanha
2017

Polinizando ideias: Blade Runner 2049 e o poder de uma lembrança

BladeRunner2049
Blade Runner 2049 quase se chamou na tradução em português: “Blade Runner – Androides Sonham”, nome que se refere ao livro “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, de Philip K. Dick e que inspirou o primeiro filme “Blade Runner” lançado há 30 anos.
A imaginação humana é capaz de alguns inusitados carinhos, como neste Blade Runner 2049, onde lembranças de infância, cuidadosamente imaginadas para parecerem verdadeiras, são implantadas nos replicantes (androides) que foram criados à imagem e semelhança de humanos adultos, para serem seus escravos em tarefas que não interessam aos homens e mulheres de uma terra imprópria para a vida.
A justificativa para as lembranças (que são vitais ao roteiro) é a de propiciar acalanto à dura vida dos replicantes.
Pequenos carinhos podem ser grandes diferenciais, por propiciar momentos de prazer e felicidade que, por vezes, grandes esforços seriam incapazes de proporcionar.
Uma toalha quente para higienizar as mãos em um restaurante japonês, um bombom de boa qualidade sobre o travesseiro de um hotel, um bilhete de boas vindas no trabalho na volta das férias, uma janelinha para a terra (dizem os astronautas), um atendente de padaria que já sabe o que você deseja e o prepara com cuidado, um desenho do seu filho te abraçando.
Se uma empresa consegue encontrar esse meio gentil, carinhoso e genuíno de propiciar um momento de felicidade ao seu cliente, ela se aproxima de uma relação de confiança que tem valor inestimável. Agora, se uma empresa consegue ter ações de carinho e cuidado genuíno com seus empregados, certamente fará com que seu produto, serviço e imagem sejam da melhor qualidade.
Blade Runner 2049
Direção: Denis Villeneuve
Com: Ryan Gosling, Harrison Ford, Robin Wright, Dave Bautista
Estados Unidos
2017

Café com a Oficina: Sabe o que é “exaptação”?

depero

Se você ainda não conhece o significado de exaptação voltado para a administração, vai se divertir com esse novo aprendizado.

É preciso separar o conceito de exaptação do conceito de evolução por adaptação – que acontece por seleção natural, por exemplo um urso de pelagem branca tinha maior chance de sobreviver no branco ambiente do Ártico e assim foi selecionado naturalmente e seus descendentes foram os vencedores nesta batalha da vida.

Já a exaptação na biologia é quando uma característica que surgiu para uma determinada finalidade, passa para um outro fim bem diferente. Um exemplo é a pena. Dinossauros terrestres desenvolveram as penas com a finalidade de proteção térmica. Alguns de seus descendentes começaram a experimentar o voo e as penas mostraram-se úteis para uma finalidade bem distinta. Outro exemplo são as folhas, que surgiram para proteção da planta e mudaram de função para fazer a fotossíntese (que inicialmente era feita apenas por caules jovens e verdes-que têm essa função até hoje).

As empresas, na batalha por acompanhar o ritmo frenético das mudanças, podem (e devem) também utilizar características que foram criadas para uma finalidade para outra muito diferente. Isto é, praticar a exaptação. Por vezes, usando suas próprias criações em condições muito diferentes, por vezes utilizando uma tecnologia madura de um campo totalmente diferente e resolvendo um problema de outra natureza.

O Viagra foi desenvolvido inicialmente pela Pfizer para ser um novo medicamento para tratar a angina, uma doença cardíaca. Durante os testes da droga, descobriram que um de seus efeitos colaterais era o aumento da irrigação sangüínea no pênis. Ao invés de abandonarem o medicamento, fizeram a exaptação dele para outra finalidade e foi o sucesso que todos sabem.

O just-in-time, sistema criado pelo japoneses para fabricação enxuta, sem estoques, baseou-se em um sistema maduro de distribuição de leite dos fazendeiros americanos.

A própria internet (www – World Wide Web) começou como uma plataforma para compartilhar informações entre universidades e por iniciativa de alguns visionários (por exemplo, Larry Page) transformou-se em uma rede que virou o mundo do avesso.

Use o conceito de exaptação, reunindo pessoas de diferentes formações, experiências e interesses para discutir solução de problemas ou novos produtos ou serviços em um ambiente favorável, não hierarquizado, com diálogo livre e dinâmico para trocar informações. Boas ideias virão.

Obs: A palavra exaptação ficou conhecida na área de biologia devido a um ensaio publicado em 1971 pelos biólogos evolucionários Stephen Jay Gould e Elisabeth Vrba.

Arte:
Excerto de “Architettura sintetica di uomo (Uomo con i baffi)”
Fortunato Depero
1917
MART

Café com a Oficina: As diferentes formas de uma mesma emoção

corinthians

Cuidado genuíno é aquela ação que brota do coração. Muitas empresas vêm procurando demonstrar atitudes que as alinhem com a diversidade, mas poucas conseguem transmitir a necessária verdade para emocionar não apenas o público ao qual se direciona a ação, mas a todos que têm a oportunidade de vê-la.

A equipe do Corinthians promoveu uma atividade com o patrocínio da Alcatel e que merece ser vista sem que estraguemos a surpresa:

Conseguir emocionar seus públicos internos e externos é um desafio constante, que só consegue sucesso quando tem base no respeito, na verdade e na leveza.

Café com a Oficina: Você vai querer conhecer a Local Motors

localmotors.jpg
 
As crianças de quase todo o mundo, principalmente os meninos, passaram bons momentos de sua infância brincando de montar e desmontar carrinhos. A cada dia os automóveis dependem menos da participação de seus condutores para sua operação, deixando para trás aquela brincadeira de infância de ser o próprio montador do seu carro.
 
Por outro lado, as indústrias automobilísticas não vivem o seu melhor momento, existe grande pressão nos países mais evoluídos para que automóveis fiquem longe do centros das cidades e que parem de usar combustíveis fósseis.
 
Enquanto uma indústria automobilística chega a gastar US$ 3 bilhões no processo do desenvolvimento de um novo carro até chegar ao mercado, a Local Motors gasta US$ 3 milhões. O primeiro projeto cuidou do sonho infantil de montar o próprio carro da empresa. O Rally Fighter para existir conseguiu a união por meio da internet, de um grupo de engenheiros e designers para projetar o carro, mantendo os “direitos autorais” destes colaboradores sobre ele. Quem o adquiriu pode participar da montagem do seu próprio carro, ficando 3 semanas na montadora, por isso o nome Local Motors. Eles querem ter microfábricas em muitas localidades, para permitir a realização deste sonho por muitas pessoas, em muitos países. Ainda mais interessante, o carro tem o código fonte totalmente aberto. Isso significa que é possível montar o chassi em casa e comprar as demais partes da Local Motors ou construir em fibra. A empresa disponibiliza os desenhos do chassi, do corpo e esquema da suspensão. Tudo grátis. Apenas logar e baixar.

local-motors-olli-self-driving-vehicle-designboom-01-818x546

 
Agora, para cuidar também da questão sustentabilidade, eles cocriaram, em parceria com a IBM Watson, o Olli. Um ônibus elétrico para doze passageiros, não precisa de motorista e tem várias partes recicláveis. Impresso em impressora 3D. Pode vir a ser um novo concorrente no mercado de transporte de passageiros, ameaçando inclusive o Uber, taxistas e empresas de transporte. Ele leva 11 horas para ficar pronto, 10 para impressão e 1 hora para montagem. Antes do Olli, haviam lançado o Strati, considerado o primeiro carro impresso em 3D, por ter sua carroceria produzida pela impressora. O diferencial do Olli é sua autonomia e a parceria com a IBM que traz a inteligência do Watson para o miniônibus. O passageiro poderá interagir com o Olli e dizer para onde quer ir e também perguntar como ele funciona. É a internet das coisas em ação.
 
O cofundador e CEO da Local Motors, John Roger, uniu duas questões: o sonho infantil com um modelo de negócio inovador e sustentável. Se o seu sonho ou de sua empresa não estão claros, ou estão baseados apenas no lucro, o futuro deve ser sombrio por aí.
 
https://localmotors.com/
Fotos: Divulgação Local Motors

Polinizando ideias: Pedaços de delicadezas

sombra

Louvor da Sombra
é um pequeno livro (menos de 50 páginas) escrito em 1933 por Junichiro Tanizaki e que provoca debates há muitas décadas. Os críticos e estudiosos não chegaram a um resultado comum em sua análise. Enquanto alguns percebem este seu texto como uma belíssima descrição de como é o gosto estético do autor em relação às modernidades ocidentais versus a tradição japonesa, outros veem na obra uma paródia muito bem escrita e não uma defesa do estilo de tradição genuinamente japonês na arquitetura e costumes.
 
Algumas de suas passagens podem proporcionar ao apreciador de literatura um grande prazer, como a que descreve o papel japonês em comparação ao papel ocidental:
 
“O papel, segundo ouvi dizer, foi inventado pelos chineses, e para nós, os japoneses, o papel ocidental nada mais é que uma utilidade; já o aspecto e a textura do papel japonês (washi) ou do chinês (toushi) nos proporcionam sensação de tépido aconchego e paz de espírito. Além disso, a brancura do papel ocidental difere da do papel japonês especial (housho), ou da do papel chinês branco (hakutoushi). A textura do papel ocidental tende a repelir a luminosidade, mas tanto o housho como o hakutoushi têm textura suave semelhante à da macia primeira neve de inverno e, como ela, absorve brandamente a luz. Bastante maleável, não produz ruído ao ser dobrado ou amassado. Manuseá-lo é o mesmo que tocar em folhas de árvores frescas e úmidas.”
 
Escrever é despertar a imaginação. É levar o leitor a caminhar e sentir outro mundo. Quando se consegue ao descrever uma simples folha de papel, exprimir em palavras algo que mexe com vários sentidos como a visão e o tato (primeira neve de inverno), a audição, o tato e o olfato (Não produz ruído…é o mesmo que tocar em folhas frescas e úmidas) e outras sensações (tépido aconchego e paz de espírito), se envolve o leitor neste papel de uma tal forma que ele também quer tocar e dobrar o washi e ter suas próprias sensações.
 
Saindo desta poética competência e retornando ao mundo das organizações, tal é a revolução pela qual o mundo está passando em termos de produtos e serviços que se a empresa não consegue despertar no seu cliente e na sua equipe sensações boas que proporcionem momentos inesquecíveis, certamente ele a trocará, assim que possível, por outra que o ajude a sentir e a viver com mais intensidade ou com nuances que despertem sentidos e sensações que ajudem a vida a ser, pelo menos, mais prazerosa.
 
Livro: Em Louvor da Sombra
Autor: Junichiro Tanizaki
Editora: Penguin – Companhia das Letras

Arte sobre imagem
Obra: Folding Screen with Design of Plum Tree
Escola Rin
Período Edo
Tokyo Fuji Art Museum

Café com a Oficina: Educação japonesa inspirando empresas no Brasil

japao_educacao

A estrutura escolar japonesa difere bastante da brasileira e pode inspirar as empresas a conquistar maior confiança e autoconfiança de seus empregados. Vejamos:

No Japão todos os grandes eventos têm ligação com a natureza. Assim, o ano escolar inicia em abril que é a época mágica da floração das cerejeiras. A cerejeira simboliza para os japoneses o amor, a felicidade, a renovação e a esperança e essa relação é transportada para o início do ano letivo, dando ainda mais significado às aulas.

E o que as empresas poderiam fazer em relação à ligação com a natureza? O cuidado com o meio ambiente é um dos elementos que, além de contribuir eficazmente com a sustentabilidade da empresa e do mundo, provoca vínculo e dá a tão buscada sensação de se estar fazendo algo com propósito. Além de suas obrigações de cuidado sério com insumos e resíduos, as empresas podem fazer grandes e pequenas coisas que aumentem esse vínculo. Algumas empresas já o fazem e têm muitos bons resultados. Uma ideia simples, mas bonita e já duradoura, é a da Alumar-Alumínio do Maranhão que pertence ao Grupo Alcoa. Cada novo empregado planta uma árvore em um bosque e este momento fica registrado com uma placa em seu nome. Algumas empresas estendem esta prática à visitantes e clientes.

As escolas japonesas colocam uma grande ênfase nas boas maneiras, antes mesmo de testarem conhecimentos, assim os estudantes só fazem prova após a quarta série, mas são responsabilizados desde o primeiro dia pelos cuidados com a sala e todo o ambiente escolar. Algo que seria visto como radical no Brasil é que a maioria das escolas japonesas não contrata faxineiros, a organização e limpeza é feita pelos próprios alunos e um dos objetivos é desenvolver a ajuda mútua e o trabalho em equipe.

Grandes empresas no Brasil ainda têm sérios problemas de destruição de bens comuns como mobiliário, ferramentas e, principalmente, banheiros, pois ficam longe da possibilidade de fiscalização. O Valor disciplina precisa ser deixado claro a todos desde o momento em que deseja fazer parte da empresa até nas menores ocorrências do dia a dia. E isso não apenas porque gera menos custos, mas porque todos sentem-se melhores em fazer parte de um ambiente limpo, organizado e cuidado por todos.

A alimentação equilibrada é um item importante da vida japonesa e é apoiado pelas escolas que contratam chefs para desenvolverem cardápios saudáveis.

Muitas empresas brasileiras têm cardápios que incluem açúcar em doses excessivas (em refrigerantes ou “sucos”), cardápio abarrotadas de carboidratos pobres e poucas opções saudáveis e acabam por ter empregados com baixa energia e que adoecem muito. É possível ter alimentação saudável, apetitosa e a custos competitivos. Todos saem ganhando.

O que a empresa faz para aumentar a qualidade de vida, resulta em cidadãos melhores e um país mais pronto para um futuro com o qual todos se sentem responsáveis.

Imagem:
Excerto de “The Little Mermaid Thinking of the Prince”
Chihiro Iwasaki
1967
Chihiro Art Museum
Japão