Café com a Oficina: Sabe o que é “exaptação”?

depero

Se você ainda não conhece o significado de exaptação voltado para a administração, vai se divertir com esse novo aprendizado.

É preciso separar o conceito de exaptação do conceito de evolução por adaptação – que acontece por seleção natural, por exemplo um urso de pelagem branca tinha maior chance de sobreviver no branco ambiente do Ártico e assim foi selecionado naturalmente e seus descendentes foram os vencedores nesta batalha da vida.

Já a exaptação na biologia é quando uma característica que surgiu para uma determinada finalidade, passa para um outro fim bem diferente. Um exemplo é a pena. Dinossauros terrestres desenvolveram as penas com a finalidade de proteção térmica. Alguns de seus descendentes começaram a experimentar o voo e as penas mostraram-se úteis para uma finalidade bem distinta. Outro exemplo são as folhas, que surgiram para proteção da planta e mudaram de função para fazer a fotossíntese (que inicialmente era feita apenas por caules jovens e verdes-que têm essa função até hoje).

As empresas, na batalha por acompanhar o ritmo frenético das mudanças, podem (e devem) também utilizar características que foram criadas para uma finalidade para outra muito diferente. Isto é, praticar a exaptação. Por vezes, usando suas próprias criações em condições muito diferentes, por vezes utilizando uma tecnologia madura de um campo totalmente diferente e resolvendo um problema de outra natureza.

O Viagra foi desenvolvido inicialmente pela Pfizer para ser um novo medicamento para tratar a angina, uma doença cardíaca. Durante os testes da droga, descobriram que um de seus efeitos colaterais era o aumento da irrigação sangüínea no pênis. Ao invés de abandonarem o medicamento, fizeram a exaptação dele para outra finalidade e foi o sucesso que todos sabem.

O just-in-time, sistema criado pelo japoneses para fabricação enxuta, sem estoques, baseou-se em um sistema maduro de distribuição de leite dos fazendeiros americanos.

A própria internet (www – World Wide Web) começou como uma plataforma para compartilhar informações entre universidades e por iniciativa de alguns visionários (por exemplo, Larry Page) transformou-se em uma rede que virou o mundo do avesso.

Use o conceito de exaptação, reunindo pessoas de diferentes formações, experiências e interesses para discutir solução de problemas ou novos produtos ou serviços em um ambiente favorável, não hierarquizado, com diálogo livre e dinâmico para trocar informações. Boas ideias virão.

Obs: A palavra exaptação ficou conhecida na área de biologia devido a um ensaio publicado em 1971 pelos biólogos evolucionários Stephen Jay Gould e Elisabeth Vrba.

Arte:
Excerto de “Architettura sintetica di uomo (Uomo con i baffi)”
Fortunato Depero
1917
MART

Café com a Oficina: As diferentes formas de uma mesma emoção

corinthians

Cuidado genuíno é aquela ação que brota do coração. Muitas empresas vêm procurando demonstrar atitudes que as alinhem com a diversidade, mas poucas conseguem transmitir a necessária verdade para emocionar não apenas o público ao qual se direciona a ação, mas a todos que têm a oportunidade de vê-la.

A equipe do Corinthians promoveu uma atividade com o patrocínio da Alcatel e que merece ser vista sem que estraguemos a surpresa:

Conseguir emocionar seus públicos internos e externos é um desafio constante, que só consegue sucesso quando tem base no respeito, na verdade e na leveza.

Café com a Oficina: Você vai querer conhecer a Local Motors

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As crianças de quase todo o mundo, principalmente os meninos, passaram bons momentos de sua infância brincando de montar e desmontar carrinhos. A cada dia os automóveis dependem menos da participação de seus condutores para sua operação, deixando para trás aquela brincadeira de infância de ser o próprio montador do seu carro.
 
Por outro lado, as indústrias automobilísticas não vivem o seu melhor momento, existe grande pressão nos países mais evoluídos para que automóveis fiquem longe do centros das cidades e que parem de usar combustíveis fósseis.
 
Enquanto uma indústria automobilística chega a gastar US$ 3 bilhões no processo do desenvolvimento de um novo carro até chegar ao mercado, a Local Motors gasta US$ 3 milhões. O primeiro projeto cuidou do sonho infantil de montar o próprio carro da empresa. O Rally Fighter para existir conseguiu a união por meio da internet, de um grupo de engenheiros e designers para projetar o carro, mantendo os “direitos autorais” destes colaboradores sobre ele. Quem o adquiriu pode participar da montagem do seu próprio carro, ficando 3 semanas na montadora, por isso o nome Local Motors. Eles querem ter microfábricas em muitas localidades, para permitir a realização deste sonho por muitas pessoas, em muitos países. Ainda mais interessante, o carro tem o código fonte totalmente aberto. Isso significa que é possível montar o chassi em casa e comprar as demais partes da Local Motors ou construir em fibra. A empresa disponibiliza os desenhos do chassi, do corpo e esquema da suspensão. Tudo grátis. Apenas logar e baixar.

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Agora, para cuidar também da questão sustentabilidade, eles cocriaram, em parceria com a IBM Watson, o Olli. Um ônibus elétrico para doze passageiros, não precisa de motorista e tem várias partes recicláveis. Impresso em impressora 3D. Pode vir a ser um novo concorrente no mercado de transporte de passageiros, ameaçando inclusive o Uber, taxistas e empresas de transporte. Ele leva 11 horas para ficar pronto, 10 para impressão e 1 hora para montagem. Antes do Olli, haviam lançado o Strati, considerado o primeiro carro impresso em 3D, por ter sua carroceria produzida pela impressora. O diferencial do Olli é sua autonomia e a parceria com a IBM que traz a inteligência do Watson para o miniônibus. O passageiro poderá interagir com o Olli e dizer para onde quer ir e também perguntar como ele funciona. É a internet das coisas em ação.
 
O cofundador e CEO da Local Motors, John Roger, uniu duas questões: o sonho infantil com um modelo de negócio inovador e sustentável. Se o seu sonho ou de sua empresa não estão claros, ou estão baseados apenas no lucro, o futuro deve ser sombrio por aí.
 
https://localmotors.com/
Fotos: Divulgação Local Motors

Polinizando ideias: Pedaços de delicadezas

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Louvor da Sombra
é um pequeno livro (menos de 50 páginas) escrito em 1933 por Junichiro Tanizaki e que provoca debates há muitas décadas. Os críticos e estudiosos não chegaram a um resultado comum em sua análise. Enquanto alguns percebem este seu texto como uma belíssima descrição de como é o gosto estético do autor em relação às modernidades ocidentais versus a tradição japonesa, outros veem na obra uma paródia muito bem escrita e não uma defesa do estilo de tradição genuinamente japonês na arquitetura e costumes.
 
Algumas de suas passagens podem proporcionar ao apreciador de literatura um grande prazer, como a que descreve o papel japonês em comparação ao papel ocidental:
 
“O papel, segundo ouvi dizer, foi inventado pelos chineses, e para nós, os japoneses, o papel ocidental nada mais é que uma utilidade; já o aspecto e a textura do papel japonês (washi) ou do chinês (toushi) nos proporcionam sensação de tépido aconchego e paz de espírito. Além disso, a brancura do papel ocidental difere da do papel japonês especial (housho), ou da do papel chinês branco (hakutoushi). A textura do papel ocidental tende a repelir a luminosidade, mas tanto o housho como o hakutoushi têm textura suave semelhante à da macia primeira neve de inverno e, como ela, absorve brandamente a luz. Bastante maleável, não produz ruído ao ser dobrado ou amassado. Manuseá-lo é o mesmo que tocar em folhas de árvores frescas e úmidas.”
 
Escrever é despertar a imaginação. É levar o leitor a caminhar e sentir outro mundo. Quando se consegue ao descrever uma simples folha de papel, exprimir em palavras algo que mexe com vários sentidos como a visão e o tato (primeira neve de inverno), a audição, o tato e o olfato (Não produz ruído…é o mesmo que tocar em folhas frescas e úmidas) e outras sensações (tépido aconchego e paz de espírito), se envolve o leitor neste papel de uma tal forma que ele também quer tocar e dobrar o washi e ter suas próprias sensações.
 
Saindo desta poética competência e retornando ao mundo das organizações, tal é a revolução pela qual o mundo está passando em termos de produtos e serviços que se a empresa não consegue despertar no seu cliente e na sua equipe sensações boas que proporcionem momentos inesquecíveis, certamente ele a trocará, assim que possível, por outra que o ajude a sentir e a viver com mais intensidade ou com nuances que despertem sentidos e sensações que ajudem a vida a ser, pelo menos, mais prazerosa.
 
Livro: Em Louvor da Sombra
Autor: Junichiro Tanizaki
Editora: Penguin – Companhia das Letras

Arte sobre imagem
Obra: Folding Screen with Design of Plum Tree
Escola Rin
Período Edo
Tokyo Fuji Art Museum

Café com a Oficina: Educação japonesa inspirando empresas no Brasil

japao_educacao

A estrutura escolar japonesa difere bastante da brasileira e pode inspirar as empresas a conquistar maior confiança e autoconfiança de seus empregados. Vejamos:

No Japão todos os grandes eventos têm ligação com a natureza. Assim, o ano escolar inicia em abril que é a época mágica da floração das cerejeiras. A cerejeira simboliza para os japoneses o amor, a felicidade, a renovação e a esperança e essa relação é transportada para o início do ano letivo, dando ainda mais significado às aulas.

E o que as empresas poderiam fazer em relação à ligação com a natureza? O cuidado com o meio ambiente é um dos elementos que, além de contribuir eficazmente com a sustentabilidade da empresa e do mundo, provoca vínculo e dá a tão buscada sensação de se estar fazendo algo com propósito. Além de suas obrigações de cuidado sério com insumos e resíduos, as empresas podem fazer grandes e pequenas coisas que aumentem esse vínculo. Algumas empresas já o fazem e têm muitos bons resultados. Uma ideia simples, mas bonita e já duradoura, é a da Alumar-Alumínio do Maranhão que pertence ao Grupo Alcoa. Cada novo empregado planta uma árvore em um bosque e este momento fica registrado com uma placa em seu nome. Algumas empresas estendem esta prática à visitantes e clientes.

As escolas japonesas colocam uma grande ênfase nas boas maneiras, antes mesmo de testarem conhecimentos, assim os estudantes só fazem prova após a quarta série, mas são responsabilizados desde o primeiro dia pelos cuidados com a sala e todo o ambiente escolar. Algo que seria visto como radical no Brasil é que a maioria das escolas japonesas não contrata faxineiros, a organização e limpeza é feita pelos próprios alunos e um dos objetivos é desenvolver a ajuda mútua e o trabalho em equipe.

Grandes empresas no Brasil ainda têm sérios problemas de destruição de bens comuns como mobiliário, ferramentas e, principalmente, banheiros, pois ficam longe da possibilidade de fiscalização. O Valor disciplina precisa ser deixado claro a todos desde o momento em que deseja fazer parte da empresa até nas menores ocorrências do dia a dia. E isso não apenas porque gera menos custos, mas porque todos sentem-se melhores em fazer parte de um ambiente limpo, organizado e cuidado por todos.

A alimentação equilibrada é um item importante da vida japonesa e é apoiado pelas escolas que contratam chefs para desenvolverem cardápios saudáveis.

Muitas empresas brasileiras têm cardápios que incluem açúcar em doses excessivas (em refrigerantes ou “sucos”), cardápio abarrotadas de carboidratos pobres e poucas opções saudáveis e acabam por ter empregados com baixa energia e que adoecem muito. É possível ter alimentação saudável, apetitosa e a custos competitivos. Todos saem ganhando.

O que a empresa faz para aumentar a qualidade de vida, resulta em cidadãos melhores e um país mais pronto para um futuro com o qual todos se sentem responsáveis.

Imagem:
Excerto de “The Little Mermaid Thinking of the Prince”
Chihiro Iwasaki
1967
Chihiro Art Museum
Japão

 

Café com a Oficina: “Quem tem fome tem pressa”

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Ter iniciativa é uma das competências mais requeridas em todos os campos da vida. Gente que não se mexe cansa até a mãe e o pai, imagine no trabalho a dificuldade em se manter empregado aquele que é lento, desatento e desinteressado. Claro que a iniciativa tem de vir de mãos dadas com o conhecimento e com a habilidade, mas sem iniciativa, nada se faz, ou se faz a passos tão lentos que nem se percebe a ação.
 
Tenente Ossuci, diretora de uma escola em uma região de bastante necessidade, resolveu que uma boa ideia seria terem plantadas bananeiras ao redor de toda a escola. Isso embelezaria o local e também traria um nutritivo acréscimo à merenda escolar. Como dinheiro não é algo disponível nas escolas brasileiras, alguns apoiadores da ideia se embrenharam no mato e começaram a trazer mudas de bananeira para iniciarem o plantio. A diretora, quando viu as plantas tão pequenas ficou um tanto chateada e disse: “Mas quando é que isso vai dar cacho de banana, eu quero para logo!” Eles disseram que não é assim que funciona, que é preciso plantar a mudinha e esperar pacientemente ela crescer. Ela então conseguiu uma pickup emprestada, se embrenhou no mesmo mato e trouxe bananeiras enormes, algumas já com cacho, as plantou muito bem plantadas. Todas se desenvolveram e os cachos estão cada dia maiores.
 
Este é um pequeno exemplo da ação desta jovem mulher, que é, há apenas 3 anos, diretora de uma escola na cidade de Jaci-Paraná, estado de Rondônia. Ela está revolucionando a vida de mais de 800 jovens que têm a possibilidade de estudar no Colégio Tiradentes. A ação provocou uma reviravolta em um local onde o destino de muitas daquelas crianças era a prostituição, as drogas e o crime. Hoje é berço de pessoas elegantes em seus uniformes impecáveis, que sabem (e vários já até receberam prêmios) que existem possibilidades nas robótica, na música, na matemática e nos estudos.
 
O Mateus é um desses exemplos, de um menino que deixava a mãe e os professores sem saberem como agir, passou a ser o responsável pela fanfarra da escola e desempenha este papel com orgulho e qualidade.
 
Vale frisar que o Colégio Tiradentes é Militar. Antes de se arrepiar e torcer o nariz imaginando que as crianças estão sendo forjadas para a submissão, é bom ler sua missão, que realmente dita os rumos por ali: “Através do humanismo e por elevados padrões de exigência, disciplina e responsabilidade, que valoriza o conhecimento como condição de acesso ao mundo, prestar à comunidade um serviço educacional de excelência contribuindo para a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus deveres e direitos. Capazes de atuar como agentes de mudança, num ambiente participativo, aberto e integrador.”
 
A frase título deste Café com a Oficina é de autoria de Betinho. Sim, quem tem fome tem pressa e não é somente a fome física, mas nas empresas, o reconhecimento por um trabalho bem feito, a alegria de ter desafios interessantes, a paz de estar fazendo o país crescer vivendo Valores, sendo Ético.
 
Para conhecer mais sobre o Colégio Tiradentes, sua Diretora-Tenente Ossuci e o Mateus: goo.gl/JJAAV3

Café com Oficina: Um novo Sesc para São Paulo

Sesc

O coração de São Paulo está pulsando em ritmo de emocionada expectativa: no dia 19/08/2017, finalmente será inaugurado um novo Sesc em pleno centro de uma cidade tão carente desta beleza, desta boa energia que faz com que uma instituição que tem 70 anos seja tão vivaz quanto as milhares de crianças que têm a sorte de ter educação não formal no projeto Curumim, que também aniversaria seus 30 anos neste mês.

Nada menos que o arquiteto Paulo Mendes da Rocha é quem capitaneou esta obra, que já traz vivacidade para um pedaço da cidade onde passam milhares de pessoas todos os dias e já são recepcionadas pelos acolhedores funcionários do novo Sesc 24 de Maio que mostram a que vieram, convidando a todos para inauguração, que tem também o papel de encerrar as comemorações dos 70 anos de atividades do Sesc no estado de São Paulo.

O ousado projeto arquitetônico propôs uma piscina de 500 metros quadrados no alto do 13º andar que jorra em e cortina d’água para o 12º piso, para isso, foi preciso reforçar a estrutura, erguendo-se uma coluna roliça de concreto desde as fundações do edifício até o teto. O edifício todo é um convite à interação com as pessoas, com a cidade, com a arte, com a cultura, com a educação.

O diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos Miranda, disse: “entendemos que Um legado material, com construções bem feitas, bem trabalhadas, se forma também a partir de um espaço convidativo para prática da cidadania.”

Quem viveu um momento que seja em uma das unidades do Sesc espalhadas pelo Brasil sabe que, sim, temos possibilidades de fazer bem feito, de gerar bem-estar, de apoiar e facilitar o acesso à cultura da mais alta qualidade e de sermos educadores e educandos para um país melhor.

Incentivar e apoiar as práticas do Sesc é uma forma de empresas e pessoas contribuírem para que este sonho seja sempre realidade e continue realizando e sonhando com passos ainda mais grandiosos.

Foto: ©Matheus José Maria. Divulgação

Café com a Oficina: Retrato de Mulher

mulher

Café com a Oficina: Retrato de Mulher

A mulher brasileira estuda mais, mas ganha, em média, 76% do valor do salário que o homem ganha, de acordo com pesquisa do IBGE de 2016.

Isso sem contar os fossos abissais que ainda separam muitas mulheres competentes e com vontade de ter uma carreira executiva dos altos cargos de gestão. Levantamento feito pela Consultoria Internacional Oliver Wyman em grandes companhias do setor financeiro em 32 países constatou que somente 10% dos cargos na diretoria executiva no Brasil são preenchidos por mulheres. A média mundial é de 16%, e o país mais bem posicionado no ranking é a Noruega, com 33% de mulheres no comando das empresas. No último lugar aparece o Japão, com 2%.

O fato da mulher ser uma potencial gestante ainda faz com que sofra discriminações de todos os tipos. Alguns empregadores ou chefetes cumprem a lei de não demissão durante a gestação, mas expõe as mulheres a assédio moral, fazendo piadas ou ações que colocam a mulher em situação inferior, como se a gravidez ou a maternidade a deixassem incapaz para o trabalho. Há também empresas que “castigam” a mãe ou gestante, mudando de função (para alguma hierarquicamente inferior).

O princípio da igualdade previsto na Constituição nem sempre é respeitado pelas empresas, porque, como não é necessário justificar a não contratação ou a demissão sem justa causa, muitas vezes, as mulheres são preteridas na contratação ou nas promoções ou são demitidas apenas porque têm filhos pequenos ou porque estão em idade fértil.

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas com 247 mil mulheres, entre 25 e 35 anos, mostrou que dois anos depois da licença maternidade metade das gestantes perde o emprego e a maioria das demissões acontece logo após o retorno ao trabalho, depois do término dos 4 meses de licença maternidade.

Muitos parecem ainda achar que lugar de mulher, principalmente quando mãe, é apenas no lar. A justiça nas escolhas de pessoas para funções, mesmo as mais bem remuneradas e no topo da hierarquia, deve estar na competência e não no gênero. Sim, mulher pode ficar grávida e você é filho de quem?

Imagem:
“Retrato de Mulher”
Benedito José Tobias
Brasil
1940

Café com a Oficina: Imagem & Realidade

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A revista da Gol ganhou uma repaginação e, no seu primeiro número, trouxe na capa o casal Alexandre Herchcovitch e Fábio Souza, que conta sobre a adoção de seus dois filhos. A escolha não é aleatória e alinha a imagem da empresa com o contemporâneo, o novo, o atual.

Não são bem sucedidas as tentativas de criar falsa imagem, onde o marketing não reproduz a imagem real, mas sim uma casca, desprovida de vida e verdade.

Com as pessoas se dá o mesmo. A imagem de cada pessoa está constantemente em exposição para mais ou para menos espectadores, que conseguem discernir com clareza se há verdade ali e qual é essa verdade.

Isso não significa que as pessoas não podem evoluir, sim devem! E o interessante é ver este esforço em uma saudável competição consigo, mesmo desfraldada com sinceridade, com acertos e erros, com tentativas legais de ser melhor do que era ontem.

A empresa italiana de chocolates Bacci, traduziu em um ato simples, porém charmoso e significativo, este esforço válido de alinhar sua imagem a coisas que valem a pena: abrindo o bombom, no singelo papel que o envolve, eles presenteiam com mais do que o prazeroso chocolate: um breve poema escrito em várias línguas faz o momento ser ainda mais especial.

Cuidar da sua imagem e da empresa, alinhá-la às expectativas de seus clientes e, mais, surpreendê-los com atitudes inovadoras, ou carinhosas, ou sustentáveis alinhadas à essa imagem é sempre um bom passo para causar boas e autênticas impressões.

Polinizando ideias: Escolhas que fazem toda a diferença

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Para nossa polinização de hoje, escolhemos um poema do americano Robert Frost que, se lido com a atenção e a escuta atentas, poderá produzir belos frutos.

A estrada não trilhada
Robert Frost (1874 – 1963)

Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia…

Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.

E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.

Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.

Tradução: Renato Suttana