Café com a Oficina: A microcefalia e o desenvolvimento

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O ano é 1983. Ele trabalha em uma cidade, mora em outra e estuda em outra. Dorme poucas horas por dia, tem raras horas de diversão aos finais de semana já que este é um tempo precioso usado para as tarefas da faculdade. Tudo correndo bem, vislumbrando um futuro diferente dos pais, castigados pelo sol da caatinga. Ele tem 22 anos e pensa que, afinal, a vida é boa. Conhece uma linda menina de 19 anos, apaixonam-se e logo se casam. A dura rotina continua em busca de completar a faculdade. 

Logo esperam um bebê e, em um tempo que ao mesmo tempo durou uma eternidade e passou rapidinho, a bebê nascia. E nascia com microcefalia.

A faculdade passa a ser sonho, a vida volta a ser dura, a menina-mãe vira mulher na marra, a medicina da época ajuda pouco, mas faz uma relação com rubéola pega durante a gestação…

Hoje, 32 anos depois, a bebê ainda continua bebê. Muitos sonhos foram realizados com a força que a dificuldade trouxe a esse casal. Anos depois tiveram mais um casal de filhos, sem nenhum problema. O mais velho já trabalha. Fez curso técnico e no mês passado foi eletricista do mês na empresa.

A mãe não achava roupas adequadas para sua filhinha. Resolveu e fez um curso de corte e costura. Virou profissão. No mês passado entregou mais de 200 fantasias costuradas por ela para crianças de uma escola para a qual presta serviços, com muito orgulho.

O pai que trabalhou em muitas coisas para dar conta da família, continua aquele menino de 23 anos que tinha como sonho fazer uma faculdade… Resolveu, afinal, recomeçar a estudar agora e na área em que trabalha – gestão de recursos humanos. Está feliz como um menino e inspira outros à sua volta a estudar e superar as dificuldades que a vida impõe.

Para ele a microcefalia de sua filha foi uma luz que iluminou as belas conquistas de sua família.

*Este foi um relato real de uma pessoa que trabalha em uma das empresas nossas clientes.

Quantas belas histórias existem aí na sua empresa? As histórias da vida real podem ser a alavanca do desenvolvimento de muita gente que está desanimada, sem boas expectativas. Descubra-as. Divulgue-as.

Café com a Oficina: O aprendizado no contar e ouvir histórias

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Desde tempos imemoriais mulheres, homens e crianças têm se reunido em torno do fogo, para contar e ouvir histórias. Uma boa história aguça os sentidos, provoca a imaginação, inicia desejos, planta a semente de sonhos, amalgama a cultura.

Com o passar dos milênios chegamos a um estágio onde as histórias são contadas em tela grande, comtécnicas que querem fazê-la envolver a plateia quase que à força, 3D, 4D, XTREME e outras tantas. Mas um bom enredo ainda é insuperável para que a história seja inesquecível e não um amontoado de belas imagens e sons da mais alta tecnologia.

De uns tempos para cá o termo storytelling, que é mais um dos anglicismos que tenta entrar nos dicionários da língua portuguesa, está invadindo a área empresarial. Deixando de lado a briga linguística, contar boas histórias pode mesmo ser um meio muito favorável de provocar aprendizado, envolver para resultados e muito mais. Assim como uma boa história cativa públicos da literatura, do cinema, da televisão, do teatro, dos videogames, das propagandas, ela também pode ser um belo elemento para ajudar a estabelecer ligações interpessoais e vínculos duradouros com conceitos, facilitando o aprendizado.

Um exemplo da força que pode ter uma história:

Se você quiser explicar a alguém o conceito de resiliência, este poderá ser um momento enfadonho ou de baixa compreensão. Mas se você contar uma história pode ser que tudo fique mais claro e envolvente. Era uma vez uma moça, muito bonita, bem nascida e estudiosa que aos 25 anos de idade sofreu um acidente de carro, ficou 5 meses internada, 2 deles com respirador artificial. Deixou o hospital sem nenhum movimento do pescoço para baixo, e, mesmo assim, três anos depois começou uma ONG que depois de 20 anos continua viva como um Instituto que apoia pesquisas para cura de paralisias e faz projetos de inclusão social para atletas e outras pessoas com deficiência.

O fato de passar à condição de ser uma pessoa tetraplégica não minou seus sonhos. Foi a primeira titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da cidade de São Paulo e com isso, a cidade que tinha 300 elevou para 3 mil o número de ônibus acessíveis com bancos largos para obesos e piso baixo para cadeirantes. Conquistou muitas outras coisas, movendo apenas o pescoço, mas deixando muito ativo seu cérebro e cuidando sempre e sempre de seu corpo paralisado. Há doze anos é colunista da Revista TRIP e suas 50 melhores crônicas foram reunidas no livro Íntima Desordem e também tem colunas em vários jornais e portais da internet onde conta histórias de pessoas com deficiência que superam seus limites.

Foi eleita vereadora e depois reeleita como a mulher mais votada do Brasil. Foi eleita e agora reeleita deputada federal – e, lembrando que apenas os músculos de seu pescoço para cima estão ativos – faz cada dia mais diferença na vida de 30 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência que existem no Brasil.

Depois de 21 anos de seu acidente, ela conseguiu com esforço contínuo em exercícios, fisioterapia e muita força pessoal, recuperar parte dos movimentos do braço e conseguiu conduzir sua cadeira de rodas sozinha, pela primeira vez. Resiliência? Na história dela tem muito mais exemplos, que este pequeno extrato não trouxe.

Conte histórias, como esta sobre a Mara Gabrilli, que envolvem, fazem aprender, refletir e mudar!

Para saber mais: http://maragabrilli.com.br/

Foto: divulgação

Polinizando Ideias: O Vendedor de Passados

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O autor angolano José Eduardo Agualusa, traz neste livro de apenas 200 páginas uma estimulante reflexão sobre a verdade e a interação entre um homem que vende passados e seu inusitado interlocutor.

A epígrafe do livro já faz pensar, pois é uma citação do escritor argentino Jorge Luís Borges: “Se tivesse de nascer outra vez escolheria algo totalmente diferente. Gostaria de ser norueguês. Talvez persa. Uruguaio não, porque seria como mudar de bairro.”

A leitura tem um ritmo ágil e os breves capítulos vão deixando atrás de si uma história tramada nos tecidos da vida humana. A revolução, que acabou com o domínio português em Angola e abriu caminho para uma tortuosa guerra civil que durou de 1975 a 2002, está levemente pincelada no ir e vir dos personagens, nos seus encontros, desencontros, sofrimentos e reflexões.

O autor reflete sobre a máxima de Martin Luther King: “Eu tive um sonho”. Ele diz que King deveria ter dito: “Eu fiz um sonho”.

Fazer um sonho. Talvez seja esse o motivo maior, embora não o único, de recomendarmos esta leitura aqui, no Polinizando Ideias. Se ideias forem realmente fortalecidas na mente, a ponto de fazer sonhos tornarem-se realidade, é possível que as empresas, as pessoas e o planeta possam ter uma vida melhor. Sem verdades construídas sobre molenga base de mentiras, mas sobre sólidas e concretas ações de transformação.

Livro: O vendedor de passados
Autor: José Eduardo Agualusa
Editora: Gryphus-RJ

Polinizando Ideias: Malangatana, a alma do seu povo em suas obras.

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Malangatana Ngwenya é um artista do mundo, nascido em Moçambique (1936-2011). Ele é reconhecido mais fortemente por suas pinturas, mas enveredou também por outros campos da arte como a música, o teatro, o cinema, a poesia, a escultura, a cerâmica, a tapeçaria e a dança.

Quando criança, sua mãe afiava dentes para os adolescentes, o que era moda naquela época e seu pai era mineiro na África do Sul. Recebeu sua primeira aula de pintura em um clube onde trabalhava como pegador de bolinhas de tênis em Maputo – capital de Moçambique. Seu mestre não foi um pintor profissional, mas sim um biólogo português, que lhe ofereceu materiais para que experimentasse pintar e, ao perceber o talento do menino, decidiu ajudá-lo a vender seus primeiros quadros. Em seguida, o arquiteto também português, Pancho Guedes, lhe disponibilizou um espaço adequado à pintura na garagem da sua casa.

Em 1960, Malangatana levou sua família para morar com ele em uma casa que comprara com o dinheiro dos primeiros quadros vendidos.

Sua arte interliga pessoas com a natureza e conta a história de sua gente, de sua terra. Mostra a opressão que sofriam por serem colônia de Portugal e, depois, os horrores da guerra civil. A paz também é refletida em seus momentos mais otimistas.

Suas obras correu o mundo e estão em países como: Portugal, Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Brasil, Angola, Cuba, Estados Unidos, Índia, entre outros. Malangatana produziu ainda murais em Moçambique, na África do Sul, Suazilândia, Suécia e Colômbia.

Ajudou a criar muitas das instituições culturais que ainda estão em ação em Moçambique. Usou seu sucesso na arte em prol do desenvolvimento das crianças e do povo. Em 1984 a ONU-Organização das Nações Unidas o convidou para fazer parte do movimento “Artistas do Mundo contra o Apartheid”, em 1990 foi um dos fundadores do “Movimento Moçambicano para a Paz”. Patrocinou a escola “Vamos Brincar”, para que as crianças aprendessem a pintar e, por esse empenho com uma vida melhor para as crianças, foi nomeado Artista pela Paz pela Unesco, em 1997. Ele foi também um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique e do Centro Cultura Malatana, cidade onde nasceu.

O poder transformador da arte foi utilizado na totalidade por Malangatana, que conseguiu movimentos, ações e obras que estão praticamente no campo do impossível, se consideradas as condições econômicas de seu país natal. Ele é referendado e não apenas por suas características artísticas e intelectuais, mas por nunca ter perdido o dom da simplicidade.

Para saber mais: http://noticias.sapo.mz/especial/malangatana/