Polinizando ideias: Ferida desenhada

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O Brasil, infelizmente, foi o país em que a escravidão durou mais tempo. Mais de 3 séculos explorando humanos, de tal forma que hoje não é suportado nem sobre animais. Mais da metade de toda a história do Brasil foi construída pelos escravos.
 
Os livros retratam essa “página infeliz da nossa história” sempre do ponto de vista dos senhores brancos, sejam visões assépticas, negativas ou positivas, mas sempre sem considerar o olhar e o sofrer dos escravizados.
 
Márcio D’Salete, mestre em história da arte pela USP, professor da Escola de Aplicação também na Universidade de São Paulo, quadrinista e ilustrador, escreveu o livro “Cumbe” onde por meio dos quadrinhos, reconta a história aa partir do ponto de vista desprezado pelos livros escolares: o ponto de vista dos escravizados. Eles são os protagonistas das 4 histórias que compõem o livro.
 
“Cumbe” é uma palavra da língua banto, que significa quilombo, mas significa também, o sol, o dia, a luz, o fogo e a maneira de compreender a vida e o mundo. E é essa nova luz que D’Salete lança sobre esta história de horror, que repercute gravemente até os dias atuais.
 
Publicado em 2014, o livro mostra, com poucas palavras e muita força imagética, a esperança e a resistência dos escravos no período colonial brasileiro. Passa longe dele a abordagem superficial ensinada nas escolas. Os escravos que fugiam, por vezes são retratados nos livros escolares como bandidos e os quilombos, como uma estrutura mal feita e provisória e não como quase cidades autossuficientes, que alguns deles se tornaram.
 
Como protagonistas, têm direito de terem retratadas suas histórias de vida, de luta pela liberdade e amplia a visão do leitor sobre este período tenebroso da história. A expressividade dos traços e a força da voz dos escravos, que até agora foram silenciados, reforça a correção histórica e chacoalha a sensibilidade sobre esta questão e as suas trágicas consequências sociais.
 
Por toda a força e luz sobre o passado, a obra foi indicada ao prêmio máximo dos quadrinhos dos EUA, o Eisner Awards.
 
Buscar conhecer o passado, a história verdadeira de sua empresa, sua cidade, seu país, possibilita reduzir os riscos de cometer os mesmos erros e, mais que tudo, lhe torna possível ser capaz de fazer análises mais justas sobre a realidade atual.
 
Livro: Cumbe
Editora: Veneta – Edição especial
Autor: Marcelo D’Salete (roteiro e arte)
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Polinizando ideias: Botero, o renascimento colombiano

 
Fernando Botero, artista plástico colombiano nascido em Medellín, é conhecido mundialmente por suas figuras, em telas ou esculturas, que esbanjam centímetros por todos os lados. Na região onde nasceu, em 1932, não havia museus ou tradição de pintores, então foi descobrindo sozinho o que seria fazer arte.
 
Ele alimentou sua inspiração em diversas fontes, desde obras pré-colombianas, passando pela arte popular da América Latina, até a inspiração definitiva dada pelas obras italianas dos séculos 14 e 15. Neste período, Botero encontrou os excessos, os volumes que até hoje iluminam os olhares de todos os apreciadores de arte, mesmo nos tempos contemporâneos de culto à magreza.
 
Buscou aprimoramento por meio do autodesenvolvimento. Aos 19 anos, passou um tempo em Madrid, fazendo cópias de obras do Museu Del Prado, para conseguir dinheiro para viver e experiência para se desenvolver. Passou dois anos em Florença, copiando afrescos e tomando contato com as obras que tinham o caráter plástico e volumétrico que o influenciaram fortemente, advindos do renascimento italiano. Depois morou em Nova Iorque, onde o forte naquele momento era a pintura abstrata e, portanto, muito diferente da sua escolha artística.
 
Botero escolheu ser um artista independente. Livre das amarras das tendências e modismos, fazendo uma pintura em que acreditava. Ele disse: “É claro que esta atitude provocou todo tipo de resistências. Mas insisti em meu ponto de vista, mesmo contra a corrente, porque estou convencido de que a arte é uma expressão muito pessoal do que o artista tem dentro de si, e que cada um tem que buscar o frescor e a originalidade interiores. Assim, consegui fazer uma obra que atualmente tem uma grande aceitação.”
 
Sua obra, que mescla tantas referências, porém é completamente única e identificável, inspira a reflexão de que, sim, é preciso que aqueles que queiram fazer diferença em qualquer campo e não apenas no artístico, também devem beber em muitas fontes, não para fazer cópias, mas sim produzir algo único e significativo para o seu trabalho e para sua vida. Como ele diz, buscar o frescor e a originalidade dentro de si, para fazer o que quer e o que vale a pena ser feito.

Café com a Oficina: A invenção do Jardim de Infância e a criatividade

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O jardim de infância foi imaginado há mais ou menos 200 anos. Antes disso, as escolas que existiam admitiam somente crianças a partir dos 7 anos, eram focadas no professor e não no aluno e o método de ensino era a repetição. As crianças ficavam sentadas esperando o professor falar algo, que seria repetido em voz alta pela classe.

O alemão Friedrich Fröbel imaginou, por volta de 1840, um centro de atividades e jogos para crianças, que mais tarde chamou de Jardim de Infância e que teria como foco ser “uma instituição para a autoinstrução, auto-educação, e auto-desenvolvimento do gênero humano, por meio do brincar, da atividade criativa, e da auto instrução espontânea”. Tudo o que se quer hoje em dia nas empresas e nas escolas. Ele percebeu cedo que o aprendizado é muito mais rápido e prazeroso por meio dos jogos e das atividades práticas.

A idéia se espalhou pelo mundo. Os objetos imaginados e criados por ele para que as crianças pudessem experimentar, jogar, construir e se desenvolverem, tais como bolas, blocos coloridos, ladrilhos geométricos e bastões de diversos tamanhos e cores, bem como a utilização da poesia e do canto estão presentes até hoje nas escolas para crianças. No Brasil o primeiro Jardim de Infância inspirado em Fröbel foi implantado pela professora Emília Erichsen na cidade de Castro, Paraná, em 1862.

O professor do MIT-Massachusetts Institute of Technology, Mitchel Resnick, considerou a invenção de Friedrich Fröbel, o Jardim de Infância, como a mais importante dos últimos 1000 anos superando, em sua opinião, a imprensa, o motor a vapor e a consequente revolução industrial, o computador e todas as tantas invenções ocorridas no último milênio.

Por quê? Porque o aprendizado, por meio da experimentação, libera uma chama criativa que permite ao cérebro encontrar outros caminhos, propor novos entendimentos, criar, criar, criar.

Assim, o Jardim de Infância, imaginado por Friedrich Fröbel incentivou as crianças a imaginar e a concretizar sua imaginação por meio dos castelos construídos com os blocos, das florestas mágicas vindas dos pincéis, das fadas e gnomos vindos das histórias.

Esse processo de imaginação e criação passa a formar um saber real de como realizar coisas concretas e importantes. A imaginação é a porta do futuro e a forma como funciona o jardim da infância é mais útil hoje do que nunca. Para as crianças. Para os adultos. Para os idosos. Para os artistas. Para os profissionais que querem gerar novas ideias, brincar com essas ideias, gerar algo novo a partir delas e precisam desenvolver seus cérebros para isso. E também para estarem preparados para lidar de um jeito bom com situações novas e incertas.

O problema: a maioria dos sistemas de ensino e das estratégias criativas das empresas estão bem distantes do sistema empregado no jardim de infância. Pense nisso.

Polinizando Ideias: Um pedacinho de Klimt

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Gustav Klimt (1862-1918) nasceu em Baumgarten, nas proximidades de Viena, na Áustria Imperial. Mesmo sendo de origem humilde, aos 14 anos começou seus estudos artísticos na Escola de Artes e Ofícios de Viena, devido à sua habilidade no desenho. Rapidamente começou a desenhar retratos, a partir de fotografias e a vendê-los.
O estilo de Gustav começou a se diferenciar, distanciando-se da pintura acadêmica e engajando-se em uma nova perspectiva desenvolveu uma produção de forte cunho decorativo, ganhando grande visibilidade e sendo solicitado para decorar prédios e instituições, como a decoração do teto e das escadarias laterais do imponente “Teatro Municipal de Viena”, além de ter finalizado o projeto de decoração do “Museu Histórico da Arte”.
Novas ideias invadiam Viena e atraiam intelectuais de diversas localidades, criando um cenário fervilhante, que permitiu muitas alterações no conhecimento científico, na sociedade e na arte. Antes de Klimt, os pintores locais eram provincianos e a maioria das obras retratavam a elite vienense. A obra do artista dialogava com a arte japonesa e africana, o que resultou em uma pintura de características absolutamente peculiares.
Klimt tinha um olhar especial sobre o feminino. Fez isso de forma hoje considerada belíssima, mas absolutamente chocante para a época, pois retratava o universo feminino com uma nudez crua, que não tinha paralelo naqueles tempos, rompendo definitivamente com o conservadorismo, retratando as mudanças que são evocadas na troca de século. Paris o reconhecia, enquanto Viena o condenava. Seu quadro Filosofia (destruído em 1945), recebeu o prêmio de melhor obra estrangeira na Exposição Universal de Paris de 1900, enquanto em Viena professores universitários, ao verem essa obra ainda inacabada, exigiram que o Ministério da Cultura suspendesse o apoio ao artista, solicitação que foi negada. Alguns questionaram sua sanidade mental ao avaliarem o erotismo de suas pinturas. Foi perseguido em Viena por mais de 10 anos, até finalmente se renderem a seu talento.
Seu pai era ourives e Klimt usou ouro para envolver as figuras de muitas de suas telas, que levam hoje seis mil pessoas todos os dias ao Museu Belvedere, em Viena que é dono da maior coleção de obras de Klimt – inclusive “O Beijo”, que é uma de suas telas mais famosas. Já, o “Retrato de Adele Bloch-Bauer”, de 1907, demorou três anos para ser finalizado. Foi feito de petróleo, prata e ouro sobre tela. Essa obra foi vendida na Christie’s de Nova Iorque por 135 milhões de dólares em 2006. A história do roubo desta tela pelos nazistas foi retratada no filme A Dama Dourada (Woman in Gold, 2015).
Gustav Klimt disse: “O que queira saber sobre mim – como artista, digno de atenção – deverá observar detidamente meus quadros e tentar reconhecer quem sou e, então, o que quero.”
Seu legado, vivo e pulsante, após 155 anos de sua morte é um grande recado a profissionais de qualquer campo do quanto ser corajoso, ativo, altamente criativo e participar ativamente das transformações pelas quais o mundo sempre está passando é o que faz a vida vale a pena.

Arte sobre:
“Retrato de Adele Bloch-Bauer”
1907
Gustav Klimt
Neue Galerie – Nova Iorque

Polinizando ideias: A arte do século XXI

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O multiartista japonês Kohei Nawa tem uma reflexão sobre a arte no Século XXI em contraponto com a arte do Século XX, que merece ser compartilhada.

Ele diz que o artista do Século XX expressava na sua arte todas as suas angústias, suas dores, sua raiva, o seu eu interior, o seu sentimento menos visível.

Hoje, um grande número de pessoas expressa a todo momento seus sentimentos não por meio da pintura, da escultura, da música ou da literatura, mas por meio das diversas mídias sociais.


O artista então, segundo Nawa, tem agora o papel de utilizar o que já existe fora dele, seja a gravidade, ou os pixels, ou a natureza, ou seja o que for já existente e ser um agente transformador para uma nova e multifacetada obra, que provoque o olhar, aguce a imaginação, a sensibilidade.

Convidado a dar aula na universidade disse que preferia que os alunos fossem a seu estúdio para aprender na prática e assim foi feito, com ganho muito maior para alunos e artista.

Suas esculturas, arquiteturas e outras modificações do existente para outra e admirável existência, estão em museus de diversas partes do mundo.

Qualquer profissional pode aproveitar essa reflexão e fazer melhor uso do que o cerca em sua casa, em seu trabalho, em sua comunidade. A questão é aguçar o olhar e colocar mãos à obra, para um mundo com mais significado.

Explore: kohei-nawa.net

Polinizando Ideias: Rosetta em Pedra, Nave e…

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Primeiro a pedra: O Egito antigo, com suas pirâmides, faraós e história milenar era um grande mistério, pois não havia ninguém no planeta capaz de decifrar a antiga linguagem dos egípcios, os hieróglifos. Em 1799, o exército de Napoleão encontrou uma grande pedra de granito pesando mais de 700 quilos. Na pedra estava escrito em baixo relevo três vezes o mesmo texto em três línguas: grego antigo, demótico-que era uma língua egípcia já conhecida na época, e os indecifráveis hieróglifos.

O texto, que era um decreto do rei egípcio Ptolomeu V, promulgado em 196 a.C. possibilitou que estudiosos finalmente decifrassem os hieróglifos e adentrassem à milenar cultura egípcia. Um elo perdido foi restaurado por meio da linguagem e a história da humanidade ficou mais clara e completa. O termo Pedra de Rosetta é utilizado hoje em dia em outros contextos, para se referir a alguma informação essencial de um campo novo de conhecimento.

Agora a Nave: Hoje, 30/09/2016, às 8:20h horário de Brasília, a sonda Rosetta aterrissou no cometa 67P e finalizou com sucesso, há 850 milhões de quilômetros da Terra, sua missão que começou a ser planejada na década de 1990, em projeto conjunto entre a NASA e a ESA (Agência Espacial Européia).

A missão que buscou compreender o surgimento do Sistema Solar foi lançada em março de 2004 com o objetivo de alcançar o 67P e soltar sobre ele o módulo robótico Philae (Philae é o nome de um obelisco egípcio que também ajudou a traduzir a Pedra de Rosetta). O robozinho conseguiu realizar um feito inédito, que emocionou o mundo, em novembro de 2014, pousou no cometa, no entanto o robô ficou em uma área de sombra, sua bateria não pode ser recarregada, mas mesmo assim, cumpriu 80% das análises que lhe cabiam.

A viagem espacial de 12 anos da sonda ofereceu dados que ampliaram o que se sabia sobre o aparecimento da vida na Terra. A missão histórica buscou compreender o surgimento do Sistema Solar, já que os cometas são vestígios da sua matéria primitiva. As últimas imagens da Rosetta enviadas hoje à Terra mostraram o solo do cometa dez segundos e cinco segundos antes do impacto.

A arte, na imaginação de pintores, escultores, escritores e poetas muitas vezes antecipa a ciência. Guilherme Arantes, na década de 1980 compôs a música “Lindo Balão Azul”, com o marcante refrão “Pegar carona nessa cauda de cometa, ver a via Láctea, estrada tão bonita…”

Aproveite a incrível e única capacidade do ser humano de relacionar os vários saberes, eternizados pela linguagem, imaginados pela arte, concretizados pela ciência e vivenciados pela capacidade de sentir de cada um de nós.

Pouso da Roseta com narração do cientista brasileiro Lucas Fonseca, que participou da missão: https://goo.gl/nXw0l1
Para saber mais sobre o pouso do Philae: https://goo.gl/YoWv5x

 

Polinizando ideias: As crianças argentinas e o cinema

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A Argentina tem um padrão cultural muito diferenciado, quando tomamos por base, por exemplo, a relação livrarias X habitantes de Buenos Aires em comparação com São Paulo, percebe-se nitidamente que são muitas páginas de distância. Em 2015, São Paulo tinha 390 livrarias, ou 3,5 livrarias por grupo de 100 mil habitantes, enquanto Buenos Aires tinha 734 ou seja, 25 livrarias a cada 100 mil habitantes. Interessante é, que as livrarias independentes têm um papel fundamental no mercado livreiro argentino, sendo poucas as redes, o que dá um caráter de maior proximidade e influência do livreiro no seu público leitor.

A arquitetura, a música, a ópera, o teatro, os museus também sempre foram grande marcos culturais, apesar das agruras políticas e econômicas que varreram o país nos últimos 50 anos, pelo menos. O tango e a milonga atraem turistas de todo o mundo e também bailarinos em importantes competições de dança locais e internacionais. Assim, a arte é pulsante na sociedade Argentina.

A prova definitiva de que eles sabem unir arte e educação é a nova estratégia que está sendo testada nas escolas primárias: As crianças terão o cinema como matéria curricular. A iniciativa é feita em parceria com a França, que já tem um programa parecido para as crianças na escola primária.

O que o programa prevê, é que as crianças assistirão filmes produzidos pela indústria cinematográfica argentina e aprenderão a analisá-los, sendo assim, o cinema para essa crianças, passará da categoria entretenimento para ser um elemento de desenvolvimento cultural e pessoal na vida dessas crianças.

O desejo é que esta iniciativa, que se chama “Escola vai ao cinema” e é apoiada pelo Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais da Argentina (INCAA) e pela agência do cinema francês CNC, transforme-se em uma estratégia de longo prazo e passe a fazer parte da política de educação nacional.

Para fazer diferença, em qualquer campo de qualquer indústria e da vida é preciso traçar o futuro desejado e trilhar os caminhos necessários para se chegar lá. Buenos Aires é pioneira no desenvolvimento da indústria criativa na América Latina desde 2001, quando o governo municipal lançou um plano cultural estratégico com objetivo de reforçar o papel da cidade “como um centro regional para a criação, produção e difusão da cultura”. Em meio a esse fervilhar cultural, o cinema argentino têm impressionado o mundo com sua sensibilidade, simplicidade e criatividade.

Conhecer o cinema argentino seja para reflexão ou entretenimento é um bom uso para o tempo de todos que gostam de cinema.

Confira algumas títulos argentinos, que nós da Oficina adoramos:

Plata quemada
Ano: 2000
Argentina/Uruguai/Espanha/França
Direção: Marcelo Piñeyro
Prêmio: Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano

O Filho da Noiva
(El hijo de la novia)
Argentina/Espanha
2001
Direção: Juan José Campanella
Prêmio: Premio Ondas de Cine a la Mejor Actriz

Historias Mínimas
Direção: Carlos Sorín
Ano: 2002
Argentina/Espanha
Prêmio: Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano

Clube da Lua
(Luna de Avellaneda)
Ano: 2004
Argentina
Direção: Juan José Campanella
Indicações: Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano

O Segredo dos Seus Olhos
(El Secreto de Sus Ojos)
Argentina/Espanha
Ano: 2009
Direção: Juan José Campanella
Prêmios: Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano

O Homem ao Lado
(El Hombre de al Lado)
Ano: 2011
Argentina
Direção: Gastón Duprat, Mariano Cohn
Prêmio: Sundance Film Festival Excellence in Cinematography Award: World Cinema Dramatic

Las Acacias
Ano: 2011
Argentina/Espanha
Direção: Pablo Giorgelli
Prêmio: Caméra d’Or – Cannes
Indicações: Satellite Award de Melhor Filme Estrangeiro

Medianeras
Ano: 2011
Argentina/Espanha/Alemanha
Direção: Gustavo Taretto

Um Conto Chinês
(Un cuento chino)
Ano: 2011
Argentina/Espanha
Direção: Sebastián Borensztein
Prêmio: Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano

Relatos Selvagens
(Relatos Salvajes)
Argentina/Espanha
Ano: 2014
Direção: Damián Szifron
Prêmios: Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano, Satellite Award de Melhor Filme Estrangeiro, Critics’ Choice Award: Melhor Filme Estrangeiro
Indicações: Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

Truman
Espanha/Argentina
2015
Direção: Cesc Gay
Prêmio: Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano

* Capa – arte sobre fotografia de:
Infância Clandestina
Argentina
2010
Direção: Benjamín Avila
Indicações: Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano

Polinizando Ideias com a força das pessoas.

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Vejam só que belo. Duas mil pessoas compareceram na abertura do 11º Festival de Cinema Latino Americano de São Paulo, que acontece no Memorial da América Latina, e assistiram a pré-estreia de “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert. Não acha grande coisa?

Gente bravíssima, que foram conferir algo gratuito, que não é um show pirotécnico, uma estrela musical ou algum enlatado comercial. Não há “vantagem” nenhuma de soberba, de alguma posse instantânea pelo valor do ingresso. Foram em pleno frio rasante paulistano, com o único intuito de se conectarem com a arte.

Volta e meia isso acontece em solo paulistano. Essa cidade é problemática, mas muitas e muitas pessoas almejam o diferente. São elas que levam esse negócio pra frente. Salve.

Algumas pessoas saudosistas repetem o mantra que “no tempo delas havia mais interesse cultural, havia mais qualidade nas obras.” Essas pessoas que tentam subjugar outras gerações, são as que menos fazem algo que estimule o pensamento de agora. Talvez nunca tenham feito em tempo algum.

Esse tipo de manifestação em prol da cidade é o cerne do progresso. Deveria ser exibida e comentada no jornal em horário “nobre” – seja lá o que for isso – para que se replique cada vez mais. Mas não, repetem os meandros políticos intermináveis, como se apenas eles, os dirigentes políticos, pudessem decidir o chão de amanhã. Há de se louvar os que tentam sair da mesmice, para que tenhamos menos ódio e mais reflexão.

Precisamos louvar todas as pessoas que tentam avançar pelo meio mais difícil, porém mais inteligente. Maquinando sua mente em prol de si e consequentemente facilitando o avanço do próximo. Niemeyer ficaria feliz com essa imagem.

11º Festival de Cinema Latino Americano de São Paulo
20 a 27/07
Confira a programação completa:
www.festlatinosp.com.br/2016

Foto: Divulgação Memorial da América Latina

Polinizando ideias: A arquitetura de Paulo Mendes da Rocha

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Um homem que se inspira em andorinhas para planejar a reforma de um edifício histórico é aquele que segue uma das regras básicas e mais desprezadas da boa arquitetura: conversar com o entorno. Este homem é Paulo Mendes da Rocha, nascido em 1928, na cidade de Vitória-ES, morador da cidade de São Paulo desde 1940, e o mais premiado arquiteto brasileiro de todos os tempos. Ele já havia recebido em 2006 o prêmio de arquitetura de maior prestígio no mundo: o Pritzker e, em maio de 2016, recebeu o Leão de Ouro na 15ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, pelo conjunto de sua obra.
 
Seu caminho para o sucesso iniciou-se logo após sua formatura quando, em 1957, ganhou uma competição nacional para a construção do ginásio de esportes do Clube Atlético Paulistano. Este trabalho lhe trouxe reconhecimento público e, com ele, ganhou o Grande Prêmio Presidência da República na 6ª Bienal de São Paulo em 1961. É autor de projetos marcantes como o do MUBE-Museu Brasileiro da Escultura, a intervenção arquitetônica na Pinacoteca do Estado de São Paulo, intervenção e reforma da Estação da Luz e projeto do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo e as novas instalações do Museu Nacional dos Coches em Lisboa, Portugal, dentre muitos outros.
 
Alguns de seus pensamentos:

“Todo o espaço deve ser ligado a um valor, a uma dimensão pública. Não há espaço privado. O único espaço privado que você pode imaginar é a mente humana.’’
 
“Uma cidade nasce do desejo de os homens estarem juntos.”
 
“O projeto ideal não existe, a cada projeto existe a oportunidade de realizar uma aproximação.”
 
“Condomínios são “os ovos da serpente”.
 
“A primeira e primordial arquitetura é a geografia”.
 
A arquitetura é invasiva. Ela destrói a natureza para abrigar o homem. Sobre a desolação ela constrói o belo. Ela destrói o belo e o histórico e constrói uma edificação horrenda e rentável, que terá obrigatoriamente que ser vista todos os dias por milhares, por vezes milhões de pessoas. Os profissionais da arquitetura, portanto, precisam ser éticos, precisam ter bom senso, precisam ser sensíveis, precisam ser artistas, precisam ser práticos para usar a menor quantidade de metros quadrados de destruição da natureza para satisfazer (e bem) as necessidades humanas.
 
Assim como o arquiteto, o profissional de todos os campos deve ser ético, para que sua intervenção no mundo cause o mínimo desgaste possível à natureza e aos demais seres viventes. Apoie sua empresa a realizar com ética. Seja você também um profissional que se inspira e conversa com a natureza para realizar seu trabalho, seja ele qual for.
Abaixo,  uma entrevista filmada na Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde ele conta como as andorinhas influenciaram seu projeto, outras boas histórias de sua jornada e sua relação com o urbano.

 

Polinizando ideias: Museu do Amanhã

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A monumental obra arquitetônica realizada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava já vale a visita à praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro. O edifício tem painéis solares integrados de tal forma à construção, que você precisa estar em busca deles para vê-los. Outro cuidado ecológico é o reuso das águas da Baía de Guanabara, o que além de gerar economia de 9,6 milhões de litros de água ao ano, ainda devolve a água à Baía de forma mais limpa que a recebeu. O paisagismo ficou por conta do escritório Burle Marx e inclui o plantio de 26 espécies, dentre elas o ipê amarelo e o pau brasil. As emissões de gases de efeito estufa são compensadas, por meio da compra de créditos de carbono de projetos certificados, minimizando os impactos das mudanças climáticas. 

As exposições no andar superior são permanentes e no térreo ficam exposições temporárias. A primeira das exposições temporárias coloca o visitante no centro da implosão do elevado Perimetral, que passava ao lado de onde é hoje o museu e que gerou um novo futuro para a cidade do Rio de Janeiro.

As exposições permanentes objetivam fazer refletir sobre o futuro, abordando temas como mudanças climáticas, biodiversidade, crescimento populacional e integração entre cultura e povos. Grandes instalações audiovisuais e jogos interativos ajudam o visitante a percorrer o caminho de onde viemos, nas estações “Cosmos” e “Terra”, quem somos, na estação “Antropoceno”, para onde vamos, na estação “Amanhã” e como queremos ir, na estação “Nós”.

O conceito principal do museu, nas palavras de seu curador Luiz Alberto Oliveira, é a ideia que queremos ajudar a polinizar: “O amanhã não está pronto. Ele será produzido por nossos gestos.” Refletir, repensar e fazer mudanças (mesmo que pequenas, mas na direção correta) em nossos atos cotidianos e nos das nossas empresas é decisivo para que exista um futuro. E que ele valha a pena.

Foto: Divulgação Museu do Amanhã