Polinizando ideias: Los Carpinteros: Objeto Vital

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Os três artistas que iniciaram em 1992, em Havana – Cuba, o coletivo Los Carpinteros, muito provavelmente não conhecem Marco Antônio, que trabalha como segurança em São Paulo, Brasil, mais especificamente no CCBB – Centro Cultural do Banco do Brasil.

Ele, no entanto, conhece parte da vasta obra e dela fala com paixão e propriedade aos que têm a sorte de demonstrarem interesse pelos significados da arte do coletivo quando não há nenhum monitor por perto e é horário de trabalho de Marco Antônio, que além de cuidar da segurança das obras, as protege da superficialidade, detalhando fatos e desejos dos seus autores e provocando admiração.

A exposição “Los Carpinteros: objeto vital” é composta por desenhos, aquarelas, esculturas, instalações, vídeos e obras que utilizam, de forma criativa, a arquitetura, a escultura e o design e aliam a competência artesanal ao pensamento crítico e conceitual que só a arte é capaz.

Podem ser apreciadas obras de todas as fases do coletivo, desde sua visão bastante entremeada com aspectos cubanos e sua crise econômica e política que teve seu auge no início do coletivo, passando pela ampliação da visão dos artistas que resultou em obras mais plurais, em sintonia não apenas com Cuba, mas com o mundo, até obras inéditas, feitas exclusivamente para esta exposição.

O belíssimo edifício do CCBB – SP faz uma boa acolhida à diversidade de obras do coletivo e ainda nos brinda com Marco Antônio, um segurança que, ao não se limitar à sua função, faz um espetáculo à parte e, ao mesmo tempo, interligado com os desejos dos artistas demonstrados em todas as suas obras, mas explicitado em “Marquilla Cigarrera Cubana”, obra que integra madeiras nobres encontradas em casarões abandonados por ricaços americanos com a pintura, e mostra a arte dessacralizada, onde dois dos artistas aparecem despidos, visitando uma sala de museu, como a dizer, “estamos aqui, nus apresentando autenticamente a nossa arte”.

Dois vídeos diametralmente distintos que a integram, mostram a pluralidade de alta qualidade de Los Carpinteros e convidam, a não perder a vontade de voltar a jogar.

Exposição: Los Carpinteros: Objeto Vital
Artistas: Alexandre Arrechea, Dagoberto Sánchez e Marco Valdes.
Local: CCBB São Paulo
Curadoria: Rodolfo de Athayde
Quando: 30/07 a 12/10/2016

Foto: Marli Gavioli

Polinizando ideias: A moça com brinco de pérola e sua corrente de possiblidades

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Pouco se sabe sobre a vida do pintor Johannes Vermeer, autor da famosa obra “Moça com Brinco de Pérola” (dentre outros 33 trabalhos a ele atribuídos). A modelo com seu olhar direto para o espectador, tem atraído a atenção e a imaginação sobre quem seria a moça de pele alva e brinco de pérola com brilho em destaque e também sobre este pintor que conseguia a perfeição na representação da luz.

O que se sabe é que Vermeer tinha grandes problemas financeiros e, mesmo assim, utilizou o pigmento azul ultramarino extraído de lápis-lazuli esmagado, que tinha um preço exorbitante, para pintar a parte azul do turbante da moça, obtendo um resultado perfeito.

De 1665, quando foi pintado, ele reapareceu na história em 1881, quando foi foi comprado, por 2,30 florins, em um leilão. O comprador, Des Tombe, a deixou ao morrer para o museu Mauritshuis, localizado na cidade de Haia, na Holanda, onde se encontra até os dias atuais, e é considerada sua obra principal.

Não se sabe se este retrato foi uma encomenda ou um trabalho espontâneo do autor. Alguns pesquisadores acreditam que a modelo tenha sido a filha mais velha do pintor, Maria, quando ela tinha 12 ou 13 anos. Os lenços dispostos como turbante causam estranhamento, pois não são naturais à Holanda de meados de 1665. Sobre a pérola, que no quadro passa a sensação de peso e volume, incidem os mesmos raios de luz que iluminam o rosto, o turbante, o lábio inferior e o colarinho branco da moça. Essa obra foi completamente restaurada em 1994, ressaltando o efeito tridimensional, as cores brilhantes e os tons da pele com que foram pintadas.

Este quadro provocou a interligação de diversas artes. Em 1999, a escritora americana residente na Inglaterra, Tracy Chevalier, escreveu o livro “Moça com brinco de pérola” que vendeu mais de 5 milhões de exemplares e inspirou o filme estrelado em 2004 por Scarlett Joansson e dirigido por um estreante, o inglês Peter Webber.

A cena inicial, que mostra vegetais sendo cortados, já diz que o filme veio para mostrar o mundo da arte pictórica, o mundo da luz. O quadro é retratado de forma impressionantemente semelhante ao original e a história, criada por Chevalier, com imaginação e respeito ao cenário holandês do século XVII, envolve o espectador nas dores e sensibilidades que Vermeer, quem sabe, poderia mesmo ter passado,

Trazendo para o mundo das organizações e para o constante e necessário pensar sobre desenvolvimento pessoal, esta obra realizada com qualidade impressionante, o livro inspirado pela pintura, o filme inspirado pelo livro e todo o aparato de artistas, não apenas o jovem diretor e os atores, mas também os figurinistas, costureiras, pintores, músicos e tantos mais, nos fazem refletir sobre o quanto um trabalho realizado com dedicação é capaz de inspirar e ser o elo com novas possibilidades. Uma genuína e bela corrente de boas realizações.

Artista: Johannes Vermeer
Site do museu Mauristshuis: https://goo.gl/z5yYui
Tracy Chevalier: http://www.tchevalier.com/

Polinizando ideias: As formas de Brecheret e a imigração

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Polinizando ideias: As formas de Brecheret e a imigração

A mãe do pequeno Vittorio faleceu quando ele tinha apenas 6 anos. Acolhido pela família do tio materno, imigrou com eles para o Brasil em 1904, buscando uma vida melhor que na sofrida Itália daqueles tempos.

Foram acolhidos pela cidade de São Paulo, que estava em pujante crescimento impulsionado pelo café. O menino Vittorio, no Brasil, tornou-se Victor Brecheret, preservando o sobrenome do pai.

Estudou entalhe em madeira e mármore no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Depois passou 5 anos em Roma aperfeiçoando sua arte. Voltou ao Brasil e integrou-se ao movimento modernista, expondo algumas de suas obras no terraço do Teatro Municipal de São Paulo, durante a importante Semana de Arte Moderna de 1922.

Suas obras podem ser vistas nos mais diversos locais da cidade de São Paulo e em vários lugares do mundo. Seu trabalho mais conhecido, o Monumento às Bandeiras, inaugurado em 1953, levou 30 anos para ser concluído e tem dimensões colossais. Homenageia não apenas os bandeirantes paulistas, mas todo o povo brasileiro. O escultor recebeu prêmios e honrarias no Brasil e na Europa.

A escultura tem essa concretude que outras artes não possuem. As obras de Brecheret, com seus traços limpos e fortes, atraem não apenas o olhar, mas também a interação física das pessoas.

Nestes duros tempos de imigrantes deslocando-se e sofrendo pelo mundo, é importante relembrar a contribuição do menino italiano à arte brasileira. Ele, apesar da vitoriosa carreira internacional, fez questão de buscar e receber a cidadania brasileira como homenagem e gratidão ao país que o acolheu.

Victor Brecheret
http://www.victor.brecheret.nom.br

Foto: Divulgação

Polinizando ideias: A boa saúde no contato com a arte

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A busca pela saúde é um dos temas que mais tem interessado os seres humanos. Uma relação já ficou bastante clara há mais de um século: a saúde mental interfere na saúde física de maneira direta e indireta. Doenças aparecem no corpo quando a mente não anda bem. Felizmente, o contrário também é verdadeiro e uma mente estimulada traz benefícios diretos ao corpo.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Berkeley na Califórnia, EUA, constatou o que empiricamente muitos já consideravam como certo: entrar em contato com obras de arte faz bem à saúde. Constataram que se impressionar com um quadro, por exemplo, pode fazer tanto efeito sobre o corpo quanto uma série de exercícios na academia. É uma ação anti-inflamatória que também é conseguida pela observação da natureza.

Nosso convite hoje é que você observe e mergulhe nesta pintura que se intitula The Big Fish, do pintor Julio Larraz, nascido em Cuba em 1944, hoje residente em Washington-EUA.

Observe os azuis, os brancos e todas as cores e nuances que puder identificar. Analise os contrastes, os movimentos.

Mergulhe e observe o grande peixe, imagine suas intenções. Sinta o peso dos remos. Imagine a maravilhosa árvore que possibilitou a existência deste barco. Crie sua história para o solitário pescador. Quem é? Onde está? O que faz e o que quer da vida? Quais sensações estão registradas nesta tela? Quais emoções esta viagem por essa obra provoca em você?

Deixar-se maravilhar é cuidar da sua saúde física e mental.

A visita a um museu, a uma galeria de arte, a leitura de um livro, o contato com a música e todo o tipo de obrar de arte que lhe inspira pode fazer uma grande diferença na sua capacidade de criar. Experimente.
Para saber mais sobre a pesquisa: http://news.berkeley.edu/2015/02/02/anti-inflammatory/

Para saber mais sobre Julio Larraz: http://juliolarraz.com/