Café com a Oficina: O Papagaio de Humboldt

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Não existe certeza se a história deste Papagaio é verdadeira ou não, mas isso aqui não importa e sim uma reflexão, essa muito verdadeira, do próprio naturalista alemão Alexander von Humboldt que dizia que deveria haver “unidade entre a arte e a ciência”.

Mas vamos à história do papagaio: No final do século 18, Humboldt percorreu os territórios ainda desconhecidos dos europeus como Colômbia, Equador, Peru, Cuba e México. Na Venezuela, na selva do rio Orinoco, Humboldt ganhou de presente um papagaio do chefe da tribo indígena Caribe. O bicho falava muito, o tempo todo. Na medida em que foram convivendo, Humboldt percebeu que seu papagaio não falava a língua da tribo Caribe e, sim, o idioma de uma tribo totalmente exterminada anos antes, os Maipuré. Na verdade, o papagaio era o único falante vivo da língua maipuré, extinta junto com a tribo.

Bem, nestes dias a Oficina de Liderança foi convidada por uma empresa sua cliente a participar de um encontro anual que já é feito há oito anos e o Papagaio de Humboldt pode nos ajudar em uma importante reflexão. Esta empresa tem o cuidado de não “exterminar” o conhecimento e vem, ao longo dos anos, realizando um processo de desenvolvimento e não uma série de eventos desconexos ou só para cumprir tabela, Com isso, vem reduzindo desperdícios, aumentando nitidamente o saber instalado e sua capacidade de inovar.

Nos dias atuais, não são muitas as empresas que retém seus colaboradores por muitos anos e, muitas vezes, importantes fatias do conhecimento são jogadas fora sem que ninguém perceba que estão tendo altos custos de reinvenção da roda que não seriam necessários se tivessem cuidado de não deixar exterminar o conhecimento, o saber instalado.

Para utilizar a reflexão de Humboldt, é preciso integrar arte e ciência. Que aprendamos, nas empresas e na vida, a preservar o saber e a história, para então construir com menor esforço e melhores resultados o que ainda está por vir.

Polinizando ideias com: Sir Ernest Shackleton

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Em tempos tão digitalmente conectados como os que vivemos, por vezes é bom mergulhar em um bom livro e refletir sobre a antevéspera destas conexões, num mundo que mal tinha inventado o telefone e no qual o rádio de ondas curtas ainda estava em lenta gestação.

Este belo livro desvela uma expedição inglesa ao Polo Sul realizada em plena primeira guerra mundial, no ano de 1915 e que por contar com o fotógrafo Frank Hurley a bordo, possibilitou que incríveis imagens em preto e branco façam deste livro um programa duplo. As fotos foram também uma das fontes de recursos para esta custosa expedição, pois os direitos sobre notícias e imagens foram vendidos antecipadamente à viagem para o jornal londrino Daily Chronicle.

A expedição e seus impressionantes problemas, sempre comandados com plena liderança de seu capitão Sir Ernest Shackleton, é narrada de forma contundente logo na página inicial do primeiro capítulo, em trecho retirado do Diário de Bordo do Endurance, descrevendo a situação após o navio ficar preso no gelo antártico na latitude 74° Sul:

“Está quase no fim… O navio não vai aguentar esta vida, comandante. É melhor se preparar, pois é só uma questão de tempo. Ainda pode levar meses, só algumas semanas, ou mesmo dias… mas quando o gelo prende, o gelo não larga mais.”

É um livro que permite refletir sobre liderança em situações extremamente difíceis e, ao mesmo tempo, vislumbrar uma história verdadeira de homens e imagens impressionantes.

Livro: Endurance – A lendária expedição de Shackleton à Antártida
Autora: Caroline Alexander
Editora: Companhia das Letras

Foto: Frank Hurley