Café com a Oficina: Os bebês Finlandeses e o pensamento enxuto

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Desde a década de 1930 a Finlândia distribui aos futuros papais uma caixa contendo presentes para o bebê. Vem com roupinhas adequadas ao clima finlandês, fraldas, produtos de banho e até um álbum para as fotografias da primeira fase da vida, mas o mais surpreendente é que a própria caixa é o principal presente, pois vem com um colchãozinho e pode ser usada como o primeiro berço. Em meados do século passado, a taxa de mortalidade infantil na Finlândia era de 65 a cada mil bebês, uma das piores da Europa. No ranking da UNICEF de 2013, a Finlândia tem uma das melhores taxas de mortalidade infantil de todo o mundo: até os 5 anos, é de 2 a cada 1000 nascimentos. Para comparação, o pior índice de 2013 é de 167, pertencente à Angola.

Vários países estão imitando a simpática e útil caixa finlandesa, adaptando o conteúdo às necessidades e características locais, pois percebeu-se que ela tem o ganho direto de manter a proximidade do bebê com os pais sem o risco de dormir na mesma cama e também é um atrativo para que as gestantes frequentem regularmente as importantes consultas de pré-natal.

Uma boa relação que podemos fazer com essa ideia finlandesa e uma boa prática que se pode incentivar nas empresas, nas casas, no planejamento de férias, nas cidades é a técnica do pensamento enxuto (lean thinking), que é a realização do que precisa ser realizado, sem perda de qualidade, porém evitando desperdícios. O desperdício aumenta  custo, reduz o lucro, aumenta a carga de tempo para se realizar algo e é extremamente prejudicial ao meio ambiente, por utilizar materiais que não precisariam fazer parte do processo.

Passos do Pensamento Enxuto:

  1. Identifique o que é valor para o cliente interno ou externo, a partir do ponto de vista dele.
  2. Localize os desperdícios no processo produtivo.
  3. Garanta que os fluxos sejam contínuos.
  4. Atenda a demanda (de forma a evitar estoques).
  5. Melhore continuamente o processo.

O pensamento enxuto na caixa finlandesa para bebês:

1. Valor: A caixa finlandesa é vista pelos papais clientes como tendo alto valor, não apenas pelo conteúdo adequado, mas pelo carinho e qualidade nela contidos.

2. Desperdícios: Quando a caixa, além de conter presentes adequados, é o próprio e principal presente, além de que é reciclável, é certo que não há desperdícios.

3. Fluxos contínuos: Quando a ideia teve início, o foco eram apenas as famílias com baixo rendimento. Mas desde 1949, a ideia mudou, passando a abranger qualquer família, desde que as mães começassem a frequentar uma clínica pré-natal antes do quarto mês de gravidez. Isso aumentou o fluxo das gestantes ao pré-natal e a produção das caixas ganhou fluidez.

4. Atenda a demanda: Não há relatos de nenhuma família que ficou sem a caixa. Os países que estão entrando nesse programa precisam cuidar de atender a demanda, pois este momento especial de nascimento de um filho aumenta a sensibilidade de qualquer pessoa. O pensamento enxuto ensina a não produzir o que não é necessário e não deixar faltar o que é necessário.

5. Melhoria contínua: A Finlândia deu prova de cuidar de melhorar continuamente este programa. Uma região da Ásia que ofertará esta caixa já pretende colocar um véu para impedir a transmissão da malária. Um país africano pretende fazer uma caixa impermeável para possibilitar usá-la como banheira para o bebê, pois essa é uma grande necessidade por lá.

+ sobre a caixa finlandesa: goo.gl/8qHP6d

+ sobre Pensamento Enxuto: http://trilhaprojetos.com.br/home/sites/default/files/plean.pdf

Café com a Oficina: Finlândia – repensando o sentido da educação

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A República da Finlândia, país nórdico que faz divisa com a Rússia e a Suécia, com pouco mais de 5 milhões de habitantes, tem atraído as atenções do mundo pela qualidade de sua educação.

A sociedade finlandesa valoriza a educação. O ensino é obrigatório dos 7 aos 16 anos, mas apenas 1% dos estudantes não continuam os estudos após isso. Atualmente, 75% dos adultos entre 25 e 64 anos têm diploma de ensino superior.

Há não muito tempo, por volta de cem anos, havia muita pobreza e quem tinha um diploma era tratado como uma pessoa especial. Hoje em dia, o professor ainda é tratado com muito respeito e trata-se de uma profissão desejada como carreira para os filhos. O professor tem autonomia para escolher os métodos, livros e didática para cumprir o currículo básico.

Na Finlândia, antes de aprenderem os conteúdos, os alunos têm experiências práticas que auxiliarão no seu entendimento futuro. Assim, têm aulas de culinária, poesia, música, línguas, matemática aplicada. O currículo é focado no que os alunos precisam aprender e não no que o professor tem que ensinar.

O cineasta Michael Moore realizou um documentário onde compara a educação nos Estados Unidos com a educação na Finlândia. Ele traz dados surpreendentes: A carga horária dos estudantes é pequena – 20 horas semanais – eles não têm lição de casa e nem testes de múltipla escolha. Não existe escola privada no nível básico, assim, quem tem dinheiro estuda com quem não têm uma condição de vida tão boa e os vínculos futuros tornam-se bem estruturados. E interessa a todos que a escola tenha qualidade.

Os alunos sentem-se tratados como seres pensantes e isso os torna mais responsáveis pelo próprio desenvolvimento. É interessante ver a expressão da Ministra da Educação quando Michael Moore diz que o ensino americano aboliu a dedicação à poesia por não interessar ao mundo corporativo.

Olhe ao redor na sua empresa e verifique se o ambiente é de respeito, desafios ao desenvolvimento e se tempo é utilizado para aquilo que realmente interessa. Sim, ou não?

Trecho do documentário de Michael Moore “Where to Invade Next”:

https://www.youtube.com/watch?v=CLhxOufPH6E