Café com a Oficina: Retrato de Mulher

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Café com a Oficina: Retrato de Mulher

A mulher brasileira estuda mais, mas ganha, em média, 76% do valor do salário que o homem ganha, de acordo com pesquisa do IBGE de 2016.

Isso sem contar os fossos abissais que ainda separam muitas mulheres competentes e com vontade de ter uma carreira executiva dos altos cargos de gestão. Levantamento feito pela Consultoria Internacional Oliver Wyman em grandes companhias do setor financeiro em 32 países constatou que somente 10% dos cargos na diretoria executiva no Brasil são preenchidos por mulheres. A média mundial é de 16%, e o país mais bem posicionado no ranking é a Noruega, com 33% de mulheres no comando das empresas. No último lugar aparece o Japão, com 2%.

O fato da mulher ser uma potencial gestante ainda faz com que sofra discriminações de todos os tipos. Alguns empregadores ou chefetes cumprem a lei de não demissão durante a gestação, mas expõe as mulheres a assédio moral, fazendo piadas ou ações que colocam a mulher em situação inferior, como se a gravidez ou a maternidade a deixassem incapaz para o trabalho. Há também empresas que “castigam” a mãe ou gestante, mudando de função (para alguma hierarquicamente inferior).

O princípio da igualdade previsto na Constituição nem sempre é respeitado pelas empresas, porque, como não é necessário justificar a não contratação ou a demissão sem justa causa, muitas vezes, as mulheres são preteridas na contratação ou nas promoções ou são demitidas apenas porque têm filhos pequenos ou porque estão em idade fértil.

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas com 247 mil mulheres, entre 25 e 35 anos, mostrou que dois anos depois da licença maternidade metade das gestantes perde o emprego e a maioria das demissões acontece logo após o retorno ao trabalho, depois do término dos 4 meses de licença maternidade.

Muitos parecem ainda achar que lugar de mulher, principalmente quando mãe, é apenas no lar. A justiça nas escolhas de pessoas para funções, mesmo as mais bem remuneradas e no topo da hierarquia, deve estar na competência e não no gênero. Sim, mulher pode ficar grávida e você é filho de quem?

Imagem:
“Retrato de Mulher”
Benedito José Tobias
Brasil
1940

Polinizando ideias: Niketche, uma história de poligamia

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Este livro, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, tem o poder de descrever, de forma atraente e sem rodeios, a cultura moçambicana principalmente no que se aplica ao modus vivendi das mulheres.

Em uma história que poderia ser baseada em fatos reais, ela desenha com todas as fortes cores moçambicanas, o cenário de penúria, dor, abandono e desprezo comuns ao cotidano feminino de algumas regiões de moçambique.

Mostra também, o quanto as mulheres da região norte do país, pertencentes ao povo Macua são completamente diferentes. São poderosas, dominam o regime de relação, que é matriarcal e sabem muito bem o que querem e como querem.

Caminhar pelo enredo desta história, tão diferente e tão igual ao cotidiano de muitos homens e mulheres de outras partes do mundo, faz pensar sobre o quanto a passividade, ou seja, a incapacidade de perceber e defender os próprios direitos, ajuda a construir mazelas e infelicidade mundo afora. Além de fazer refletir sobre a tão “moderna” questão da diversidade que afeta todas as relações, dentro e fora das organizações.

Livro: Niketche, uma história de poligamia
Autora: Paulina Chiziane
Editora: Companhia das Letras

Polinizando ideias: Malala e a educação 

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O terrorismo traz consequências também (e principalmente) para quem mora “ali ao lado” e vê sua cidade destruída, seus amigos mortos.

Para as mulheres, o sofrimento é maior, pois as imposições e restrições são também maiores. Assim, as meninas paquistanesas foram proibidas de estudar pelo grupo terrorista Taliban. Suas escolas foram destruídas e suas vidas completamente dilaceradas.

Em meio a este caos a voz de uma adolescente se fez ouvir, em defesa do direito dela e de todas as meninas do mundo de poderem estudar. Esse brado quase lhe rendeu a morte e foi premiado com o Nobel da Paz em 2014.

Este novo documentário mostra Malala já com 18 anos, conta esta trajetória de horror e coragem, conquista atenção e provoca para a ação em prol da educação.

Ela é exemplar porque suas palavras são retrato fiel de suas acões. Por exemplo, ela e sua família foram obrigados a morar na Inglaterra devido à perseguição dos terroristas e lá, em uma prova semelhante ao Enem, Malala tirou nota A em todas as 10 matérias!

Fazer com paixão verdadeira o que se acredita faz a vida valer cada segundo.

Filme: He Named Me Malala
Diretor: Davis Guggenheim
Ano: 2015