Polinizando ideias: A arquitetura de Paulo Mendes da Rocha

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Um homem que se inspira em andorinhas para planejar a reforma de um edifício histórico é aquele que segue uma das regras básicas e mais desprezadas da boa arquitetura: conversar com o entorno. Este homem é Paulo Mendes da Rocha, nascido em 1928, na cidade de Vitória-ES, morador da cidade de São Paulo desde 1940, e o mais premiado arquiteto brasileiro de todos os tempos. Ele já havia recebido em 2006 o prêmio de arquitetura de maior prestígio no mundo: o Pritzker e, em maio de 2016, recebeu o Leão de Ouro na 15ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, pelo conjunto de sua obra.
 
Seu caminho para o sucesso iniciou-se logo após sua formatura quando, em 1957, ganhou uma competição nacional para a construção do ginásio de esportes do Clube Atlético Paulistano. Este trabalho lhe trouxe reconhecimento público e, com ele, ganhou o Grande Prêmio Presidência da República na 6ª Bienal de São Paulo em 1961. É autor de projetos marcantes como o do MUBE-Museu Brasileiro da Escultura, a intervenção arquitetônica na Pinacoteca do Estado de São Paulo, intervenção e reforma da Estação da Luz e projeto do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo e as novas instalações do Museu Nacional dos Coches em Lisboa, Portugal, dentre muitos outros.
 
Alguns de seus pensamentos:

“Todo o espaço deve ser ligado a um valor, a uma dimensão pública. Não há espaço privado. O único espaço privado que você pode imaginar é a mente humana.’’
 
“Uma cidade nasce do desejo de os homens estarem juntos.”
 
“O projeto ideal não existe, a cada projeto existe a oportunidade de realizar uma aproximação.”
 
“Condomínios são “os ovos da serpente”.
 
“A primeira e primordial arquitetura é a geografia”.
 
A arquitetura é invasiva. Ela destrói a natureza para abrigar o homem. Sobre a desolação ela constrói o belo. Ela destrói o belo e o histórico e constrói uma edificação horrenda e rentável, que terá obrigatoriamente que ser vista todos os dias por milhares, por vezes milhões de pessoas. Os profissionais da arquitetura, portanto, precisam ser éticos, precisam ter bom senso, precisam ser sensíveis, precisam ser artistas, precisam ser práticos para usar a menor quantidade de metros quadrados de destruição da natureza para satisfazer (e bem) as necessidades humanas.
 
Assim como o arquiteto, o profissional de todos os campos deve ser ético, para que sua intervenção no mundo cause o mínimo desgaste possível à natureza e aos demais seres viventes. Apoie sua empresa a realizar com ética. Seja você também um profissional que se inspira e conversa com a natureza para realizar seu trabalho, seja ele qual for.
Abaixo,  uma entrevista filmada na Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde ele conta como as andorinhas influenciaram seu projeto, outras boas histórias de sua jornada e sua relação com o urbano.

 

Café com a Oficina: Finlândia – repensando o sentido da educação

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A República da Finlândia, país nórdico que faz divisa com a Rússia e a Suécia, com pouco mais de 5 milhões de habitantes, tem atraído as atenções do mundo pela qualidade de sua educação.

A sociedade finlandesa valoriza a educação. O ensino é obrigatório dos 7 aos 16 anos, mas apenas 1% dos estudantes não continuam os estudos após isso. Atualmente, 75% dos adultos entre 25 e 64 anos têm diploma de ensino superior.

Há não muito tempo, por volta de cem anos, havia muita pobreza e quem tinha um diploma era tratado como uma pessoa especial. Hoje em dia, o professor ainda é tratado com muito respeito e trata-se de uma profissão desejada como carreira para os filhos. O professor tem autonomia para escolher os métodos, livros e didática para cumprir o currículo básico.

Na Finlândia, antes de aprenderem os conteúdos, os alunos têm experiências práticas que auxiliarão no seu entendimento futuro. Assim, têm aulas de culinária, poesia, música, línguas, matemática aplicada. O currículo é focado no que os alunos precisam aprender e não no que o professor tem que ensinar.

O cineasta Michael Moore realizou um documentário onde compara a educação nos Estados Unidos com a educação na Finlândia. Ele traz dados surpreendentes: A carga horária dos estudantes é pequena – 20 horas semanais – eles não têm lição de casa e nem testes de múltipla escolha. Não existe escola privada no nível básico, assim, quem tem dinheiro estuda com quem não têm uma condição de vida tão boa e os vínculos futuros tornam-se bem estruturados. E interessa a todos que a escola tenha qualidade.

Os alunos sentem-se tratados como seres pensantes e isso os torna mais responsáveis pelo próprio desenvolvimento. É interessante ver a expressão da Ministra da Educação quando Michael Moore diz que o ensino americano aboliu a dedicação à poesia por não interessar ao mundo corporativo.

Olhe ao redor na sua empresa e verifique se o ambiente é de respeito, desafios ao desenvolvimento e se tempo é utilizado para aquilo que realmente interessa. Sim, ou não?

Trecho do documentário de Michael Moore “Where to Invade Next”:

https://www.youtube.com/watch?v=CLhxOufPH6E

Polinizando ideias: O toque de mestre de Paolo Sorrentino

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O mais recente filme do diretor italiano Paolo Sorrentino é um encadeado de temas tão delicados quanto profundos e que estão presentes na vida de cada um e de todos: a amizade, a velhice, a juventude, o sofrimento, a beleza, a raiva, o amor, as lembranças, o futuro, o aprendizado, o reconhecimento, a injustiça, a fragilidade da fama de artistas ou de atletas, a declaração de amor muito além das palavras, o recomeço, a saúde.

Fiquemos aqui, com apenas uma gota do filme, aquela que trata do aprendizado:

Um menino, dedicado estudante de violino, repete várias vezes as notas de uma canção. Um famoso maestro está nas proximidades e acaba por procurá-lo. Pergunta por que está interpretando aquela canção e o menino responde que o seu professor disse que ela seria muito útil para ele, que era um iniciante. O compositor confirma que o professor estava certo, afinal, seu nome é Canção Simples, devido à sua real simplicidade. O menino diz:

“Ela não é apenas simples, ela é muito bela.”

O maestro apresenta-se como sendo o compositor da música e pede licença para reposicionar o braço do pequeno violinista, apenas alguns centímetros acima. No dia seguinte, o menino procura o maestro e lhe diz que aquela pequena correção fez grande diferença no seu desempenho com o violino e então lhe agradece.

O maestro diz que o fato de ele ser canhoto faz com que o que é perfeito para um destro, pode não apresentar os melhores resultados para um canhoto, por isso o posicionamento aconselhado foi um pouco fora do padrão.

E assim, a cena nos faz pensar e repensar em momentos de grandes aprendizados, causados por pequenas mudanças que alguém, sábio e gentil, ofereceu e alguém sedento por aprender, aceitou e aplicou.

Além das muitas reflexões que este filme pode provocar, ele traz alguns momentos tão sublimes em termos de beleza cênica, que o que basta é senti-los plenamente, mergulhando na doçura ou força onírica da imagens e da trilha sonora criativa.

Talvez, para alguns espectadores, a sutileza e fragmentação com que Paolo Sorrentino trata de tantos aspectos da vida humana, poderá soar como superficialidade. Mas para aqueles, que por sorte, por amor, por dor ou por entrega plena ao filme se conectarem plenamente à forma com que ele os apresentou, poderá ter um momento de raro prazer ou belo aprendizado.

Filme: A Juventude
Título Original: La Giovinezza
Direção: Paolo Sorrentino
Com: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz
País: Itália
Ano: 2015

Polinizando ideias: A empatia de uma garota dinamarquesa

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Um pequeno animal enfrentou desafios dignos de filmes de terror ou suspense: ursos gigantes, leões, hipopótamos furiosos, serpentes, pernilongos, aranhas e outros tantos insetos venenosos, bactérias e vírus de todos os tipos, fome, temperaturas desesperadoras que congelaram ou queimaram muitos, mas sempre achou um jeito de chegar até aqui e fazer o extraordinário. E se o fez é porque soube viver em bandos, dividir tarefas e isso significou, em grande parte, ajudar ao outro. E assim, sendo capaz de ajudar e de ser ajudado (nem sempre, mas vezes suficientes para prosperar como espécie) o pequeno ser humano chegou até estes tempos atuais…

Deste filme que hoje trazemos para reflexão, que se chama A Garota Dinamarquesa, o que queremos destacar não é o personagem principal, baseado na vida de Einar Wegener, mas sim a outra garota dinamarquesa, personagem baseado na vida da pintora Gerda Gottlieb, esposa de Einar na vida real e no filme. Vamos ficar com o que o filme nos apresentou, pois a vida real, certamente tem milhares de outros complexos elementos.

Este recorte da vida do casal, Einar e Gerda, construído pelo diretor Tom Hooper, faz brilhar e rebrilhar o tão conhecido, mas pouco sabido conceito de empatia, que é dos elementos mais fundamentais para o ser humano conseguir se estabelecer como espécie.

Gerda, no filme, é a pessoa que faz uso da empatia de forma tão absoluta, que foi capaz de sentir o que seu marido sentia, em um momento da história em que (provavelmente) mais ninguém seria capaz de fazê-lo. Foi um exercício real e por vezes dolorido de, figurativamente falando, descalçar os próprios sapatos e calçar os do outro e poder se aproximar mais profundamente de sentimentos e desejos que seriam quase impossíveis de validar se não visse as questões do ponto de vista dele. A decisão dele pode ser que choque pessoas até nos dias atuais, passados quase 100 anos dos fatos acontecidos.

Muitas coisas valem a pena ao assistir esse filme, a história, como já dissemos baseada em fatos reais, a recriação da época, a interpretação dos atores, no entanto, mais que tudo, ele traz uma oportunidade consistente de se aproximar do significado pleno de empatia e, em tantos situações novas nas empresas ou na vida pessoal, lembrar que a prática desse conceito é que fez com que, este pequeno ser humano chegasse até aqui e foi a falta dele que causou buracos imensos nessa jornada – guerras, corrupção, injustiça, escravidão, genocídios e tantos outros males que se fazem mal ao outro, acabam por fazer mal a todos.

Filme: A Garota Dinamarquesa
Título Original: The Danish Girl
Direção: Tom Hooper
Ano: 2015

Café com a Oficina: O trabalho da liberdade.

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Enquanto o Brasil tem um índice de reincidência no crime em torno de 70%, o presídio Professor Jacy de Assis, localizado na cidade mineira de Uberlândia tem um índice de reincidência no crime de 1% em uma parte específica dos presidiários.

Esta diferença esplendorosa tem uma explicação clara: estes presos trabalham. Uma parte deles produz alimentos em uma horta construída pelos próprios detentos.

São colhidas mensalmente pelos presidiários cerca de 400 caixas de hortaliças, tais como alface, repolho, rúcula, couve, pepino, brócolis, mostarda, temperos e algumas frutas. Os agentes penitenciários coordenam o trabalho, que tem cuidado ambiental captando a água das chuvas para irrigar o canteiro de mudas. Os alimentos são vendidos à empresa que fornece refeições ao presídio e a produção é utilizada na alimentação diária dos internos.

Outras atividades produtivas são realizadas por presidiários que realizam trabalhos internos e externos em costura, limpeza, manutenção e obras.

Os presos que trabalham recebem salário e redução de pena e, acima de tudo, uma possibilidade de ser útil, de aumentar sua autoestima, de ver um sentido para a sua vida.

A reflexão que esse caso possibilita é sobre a força transformadora que pode ter um trabalho decente. E se esse é um dos grandes benefícios do trabalho, é preciso que as empresas, seus gestores e todos que delas façam parte construam ambientes, produtos e métodos produtivos que apoiem o desenvolvimento de cada um e que esses também sejam trabalhos libertadores das forças que construirão um futuro melhor para todos.

Café com a Oficina: O Papagaio de Humboldt

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Não existe certeza se a história deste Papagaio é verdadeira ou não, mas isso aqui não importa e sim uma reflexão, essa muito verdadeira, do próprio naturalista alemão Alexander von Humboldt que dizia que deveria haver “unidade entre a arte e a ciência”.

Mas vamos à história do papagaio: No final do século 18, Humboldt percorreu os territórios ainda desconhecidos dos europeus como Colômbia, Equador, Peru, Cuba e México. Na Venezuela, na selva do rio Orinoco, Humboldt ganhou de presente um papagaio do chefe da tribo indígena Caribe. O bicho falava muito, o tempo todo. Na medida em que foram convivendo, Humboldt percebeu que seu papagaio não falava a língua da tribo Caribe e, sim, o idioma de uma tribo totalmente exterminada anos antes, os Maipuré. Na verdade, o papagaio era o único falante vivo da língua maipuré, extinta junto com a tribo.

Bem, nestes dias a Oficina de Liderança foi convidada por uma empresa sua cliente a participar de um encontro anual que já é feito há oito anos e o Papagaio de Humboldt pode nos ajudar em uma importante reflexão. Esta empresa tem o cuidado de não “exterminar” o conhecimento e vem, ao longo dos anos, realizando um processo de desenvolvimento e não uma série de eventos desconexos ou só para cumprir tabela, Com isso, vem reduzindo desperdícios, aumentando nitidamente o saber instalado e sua capacidade de inovar.

Nos dias atuais, não são muitas as empresas que retém seus colaboradores por muitos anos e, muitas vezes, importantes fatias do conhecimento são jogadas fora sem que ninguém perceba que estão tendo altos custos de reinvenção da roda que não seriam necessários se tivessem cuidado de não deixar exterminar o conhecimento, o saber instalado.

Para utilizar a reflexão de Humboldt, é preciso integrar arte e ciência. Que aprendamos, nas empresas e na vida, a preservar o saber e a história, para então construir com menor esforço e melhores resultados o que ainda está por vir.

Café com a Oficina: Eu escolho a pessoa que quero ser

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Samanta e seu marido descobriram que a empregada da casa há 3 anos os roubava sistematicamente. Eles jamais pensaram que isso poderia acontecer, mas aconteceu. A moça foi despedida e o casal começou a selecionar outra. Dessa vez planejaram para receber a nova funcionária: lugar escondido para guardar dinheiro, mesmo que trocados; controle de todo alimento comprado e usado; verificação sistemática das louças, faqueiros e outras coisas. Um dia, conversando sobre isso, facilmente eles perceberam que aquela pessoa os transformara para a cautela demasiada e a desconfiança prévia de qualquer indivíduo que fosse seu prestador de serviços. Permitiram que ela os tornasse pessoas piores.